ONS Aciona Plano de Gestão de Excedentes pela Primeira Vez O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou, pela primeira vez, seu plano para gerenciar o excedente de energia no sistema nacional. Entre 10h e 14h deste domingo, período de maior incidência solar, foi solicitada a suspensão da geração de 1.000 megawatts (MW). Essa medida, conhecida como 'curtailment', geralmente afeta grandes usinas, mas desta vez se estendeu a pequenas unidades geradoras conectadas diretamente às redes das distribuidoras. Distribuidoras Reduzem em 23,5% Geração de Pequenas Usinas Doze distribuidoras foram acionadas pelo ONS para reduzir a produção em pequenas usinas sob sua gestão. Essas unidades, que incluem usinas solares e eólicas de menor porte, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa, tiveram cerca de 23,5% de sua geração cortada. O ONS não tem controle direto sobre essas fontes, por isso a necessidade de envolver as distribuidoras. Esse grupo foi priorizado por representar aproximadamente 80% da potência instalada das usinas de pequeno porte incluídas no plano. Causas e Implicações da Sobrecarga Energética A forte produção de energia, especialmente de fontes solares, combinada com o baixo consumo — devido a temperaturas amenas, ser domingo e período de feriado prolongado — criou um cenário de desequilíbrio. Esse excesso de oferta, somado à baixa capacidade de controle de frequência e tensão do sistema, aumenta o risco de instabilidade e apagões. Especialistas apontam o crescimento da oferta de energia solar, impulsionado por subsídios, como um fator chave nesse descompasso entre oferta e demanda. Impactos Financeiros e Demandas por Políticas Públicas Embora o ONS e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirmem que a medida não deve impactar significativamente o consumidor final, as pequenas geradoras que tiveram sua produção suspensa podem sofrer perdas financeiras. Elas deixam de receber pela energia não gerada e podem ter que arcar com o fornecimento aos seus clientes, assumido pelas distribuidoras. Associações do setor solar e de energia eólica ressaltam a necessidade urgente de investimentos em mecanismos de flexibilidade, armazenamento de energia e controle de carga para lidar com o 'novo normal' da transição energética e evitar gargalos estruturais.