Lula à frente, mas com margem reduzida Apesar de manter a liderança na corrida presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário eleitoral complexo, de acordo com a nova pesquisa BTG/Nexus. No primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, superando o senador Flávio Bolsonaro, que registra 34%. No entanto, a disputa se acirra no segundo turno, onde a diferença cai para apenas três pontos, com 47% para Lula e 44% para Bolsonaro. O primeiro desafio: conquistar o eleitorado volátil Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, explica que o primeiro grande obstáculo para Lula é continuar atraindo o eleitorado não polarizado. Esse grupo, que representa cerca de 20% do eleitorado, não demonstra fidelidade automática a nenhum dos campos políticos e é mais suscetível a oscilações de humor diante de crises ou escândalos. Atualmente, essa parcela do eleitorado tende levemente a Lula, o que explica a diferença no segundo turno, mas sua volatilidade representa um risco para a campanha. O segundo desafio: transformar votos em comparecimento O segundo desafio, considerado ainda mais delicado pela Nexus, é garantir que a intenção de voto se converta em comparecimento efetivo às urnas. A pesquisa revela que, ao considerar apenas eleitores que participaram das últimas duas eleições presidenciais, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro encolhe para apenas um ponto. Isso sugere que a abstenção pode ter um impacto desigual na disputa. Abstenção: um risco para a base de Lula Tokarski aponta que o perfil da base eleitoral de Lula o torna mais vulnerável ao aumento da abstenção. Como o presidente concentra maior apoio entre eleitores de menor renda, um eventual crescimento na ausência às urnas tende a afetar proporcionalmente mais sua candidatura. Assim, a campanha petista não só precisa conquistar os indecisos, mas também mobilizar eleitores menos engajados e combater a abstenção no dia da votação. Cenário eleitoral segue competitivo e polarizado Apesar da liderança de Lula, a Nexus avalia que o cenário eleitoral permanece altamente competitivo, com um retorno à polarização vista nas últimas eleições. A disputa é descrita como um "Fla-Flu político", onde a margem estreita entre os principais candidatos e a parcela significativa de eleitores ainda abertos à mudança indicam que a corrida presidencial segue em aberto. A liderança nas pesquisas é importante, mas, segundo a pesquisa, já não é suficiente para garantir a vitória de Lula.