Os preços mundiais dos alimentos apresentaram estabilidade em maio, com o índice da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) registrando uma leve queda de 0,2% em relação a abril, atingindo 130,8 pontos. Apesar da estabilidade mensal, o indicador permanece 2,9% superior ao de maio de 2023, mas ainda 18,4% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2022. Cereais e Açúcar Impulsionam Alta Mensal A estabilidade geral foi resultado de movimentos opostos em diferentes categorias de produtos. Os cereais registraram um aumento de 2,6% em maio, impulsionados pela contínua alta nos preços do trigo, que já acumula quatro meses consecutivos de elevação. Essa tendência é atribuída à previsão de safras menores nos principais países exportadores, como os Estados Unidos. O milho também contribuiu para a alta, devido à menor oferta no Brasil e nos EUA, combinada com uma demanda crescente. O açúcar apresentou a maior alta percentual do mês, com um avanço de 7,5% em relação a abril, atingindo o maior patamar desde outubro de 2025. Segundo a FAO, essa elevação é motivada por preocupações com a oferta global, especialmente no Brasil, onde uma menor participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar sugere um direcionamento maior para a fabricação de etanol, sustentando os preços do adoçante. Óleos Vegetais e Laticínios em Queda Em contrapartida, os óleos vegetais sofreram uma retração de 4,6% em maio, marcando o primeiro declínio mensal desde o início de 2026. Os preços internacionais do óleo de palma recuaram após cinco meses de alta, refletindo expectativas de menor demanda global por importações e incertezas no mercado de petróleo. O óleo de soja apresentou comportamento misto, com a oferta sazonal pressionando os preços na América do Sul, enquanto a demanda por biocombustíveis sustentou os valores nos Estados Unidos. Os laticínios também seguiram a tendência de queda, com uma redução de 0,5% em relação a abril. Essa queda é ainda mais acentuada quando comparada ao ano anterior, com um recuo de 22,4%. A FAO aponta para a queda contínua nos preços da manteiga na Europa e Oceania, devido à melhor oferta de gordura do leite. O queijo teve uma leve queda, enquanto o leite em pó desnatado registrou alta, especialmente na Europa, e o leite em pó integral apresentou desenvolvimentos mistos. Carnes com Variação Discreta O setor de carnes apresentou uma variação modesta, com um aumento de 0,1% em maio em comparação com abril, e uma alta de 6,3% em relação ao ano anterior. As cotações mais altas de carne bovina e ovina, juntamente com um ligeiro aumento na carne de aves, foram quase totalmente compensadas pela queda nos preços da carne suína. A demanda chinesa continua a sustentar os preços da carne bovina, enquanto a reconstrução de rebanhos em outros países produtores também influencia o mercado. Os preços da carne de aves subiram impulsionados pela forte demanda global, especialmente no Brasil. Por outro lado, os preços da carne suína caíram, principalmente na União Europeia, devido à oferta abundante e à demanda de importações moderada.