Conectando o conhecimento tradicional à sala de aula Diante do cenário de mudanças climáticas, educadores brasileiros buscam nos saberes locais as respostas para engajar crianças e adolescentes no debate sobre sustentabilidade. O programa Movimento Sustentável, desenvolvido e implementado pela Tewá 225, tem sido um pilar nessa jornada, levando educação socioambiental para mais de 2 mil estudantes e professores em escolas públicas de seis estados: Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo. A iniciativa foca no desenvolvimento de competências em técnicas sustentáveis intrinsecamente ligadas aos territórios, abordando temas como sistemas naturais, consumo consciente de recursos e os impactos das mudanças climáticas. Formação e investimento em 40 escolas Ao todo, 40 escolas públicas foram contempladas com formações voltadas para educadores. O objetivo é aprofundar a compreensão sobre sustentabilidade e capacitar os profissionais para a aplicação desses conhecimentos em sala de aula. Segundo dados da Tewá, o programa mobilizou 144 profissionais, que resultaram na elaboração de 266 atividades pedagógicas. As escolas que alcançaram as metas propostas, com atividades gamificadas e alinhadas aos saberes locais, receberam investimentos que variaram entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para a implementação de ações concretas em suas comunidades. Metodologia alinhada à BNCC e à realidade local A metodologia do Movimento Sustentável é guiada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), organizando o aprendizado em ciclos semestrais interconectados. Isso permite que conteúdos complexos sejam assimilados de forma progressiva e adaptada às realidades de cada município. Fernanda Mallak, diretora técnica da Tewá 225, ressalta a importância de adaptar o conteúdo à cultura local: “O estudo só faz sentido quando está conectado à realidade do território e à cultura que aquele estudante reconhece como dele. É a diferença entre decorar um conceito e se sentir pertencente a ele. Aqui entram também os saberes tradicionais, que muitas vezes precedem todo o nosso conhecimento técnico de sustentabilidade.” Desafios e o papel da comunidade Apesar dos avanços, a incorporação de práticas sustentáveis no ensino básico ainda enfrenta desafios, como questões estruturais ligadas à evasão escolar, infraestrutura precária e alta rotatividade de professores. “Como engajar uma comunidade escolar que muitas vezes opera no limite, com o docente sobrecarregado e sem as condições mínimas de permanência?”, questiona Mallak. A diretora defende que as ações devem ser implementadas como um apoio, sem gerar mais carga de trabalho aos profissionais. O programa busca dialogar com a comunidade escolar como um todo, envolvendo educadores, estudantes, famílias e o entorno, especialmente em escolas indígenas, onde o trabalho é realizado em parceria com lideranças locais para transmitir conhecimentos tradicionais às novas gerações.