Putin não vê 'motivos' para reunião com Zelensky O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira (5) que não há razões, no momento, para um encontro com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky. A declaração surge após Zelensky ter divulgado uma carta aberta propondo uma reunião para discutir o fim da guerra. Na missiva, o líder ucraniano sugeriu um "cessar-fogo total" durante as negociações para um acordo definitivo, buscando um diálogo "honesto, digno e com garantias" de que o conflito não será reacendido. Zelensky aponta incômodo russo com pressão ucraniana Na carta aberta, Zelensky também sinalizou que a Rússia estaria sentindo o peso da pressão militar ucraniana. Ele mencionou o incômodo russo com o uso de drones e mísseis pela Ucrânia, a escassez de combustível e o aumento de preços, além de restrições e a ameaça de uma nova onda de mobilização russa. O presidente ucraniano ressaltou que os russos "não gostam do fato de que não há fim à vista para a sua guerra". Kremlin muda tom e alega 'observações grosseiras' na carta Inicialmente, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, havia afirmado que Zelensky seria bem-vindo para encontrar Putin em Moscou "a qualquer momento". No entanto, após a divulgação da carta, Peskov modificou o discurso, alegando que o documento continha "observações bastante grosseiras" que não favorecem a criação de condições para uma reunião. Negociações paralisadas e exigências territoriais dificultam avanço As negociações entre Rússia e Ucrânia permanecem paralisadas há meses, com poucas perspectivas de avanços concretos. As conversas são dificultadas pelas exigências territoriais de Moscou, que demanda a retirada das tropas ucranianas de toda a região de Donetsk. A Rússia atualmente ocupa cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes do Donbas. A Ucrânia, por sua vez, insiste em manter suas posições e busca garantias de segurança robustas do Ocidente, além de defender o controle sobre a usina nuclear de Zaporizhzhia. Novos ataques russos causam mortes e destroem infraestrutura Em meio ao apelo de Zelensky por uma reunião, a Rússia lançou bombardeios em diversas regiões da Ucrânia na madrugada desta sexta-feira (5), resultando na morte de pelo menos sete pessoas, segundo autoridades locais. Ataques atingiram a fábrica Yagotynske para Crianças, armazéns de alimentos, agências dos correios, ambulâncias, escolas e infraestruturas portuárias. A capital, Kiev, registrou o maior número de vítimas, com quatro mortos no distrito de Brovary. A Força Aérea Ucraniana informou ter abatido ou neutralizado 198 drones, a maioria do modelo iraniano Shahed, além de outros veículos aéreos não tripulados e mísseis.