Um Ícone das Letras Pernambucanas se Despede O cenário literário brasileiro amanheceu mais triste nesta terça-feira com a notícia do falecimento do escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, aos 78 anos. Diagnosticado recentemente com câncer e após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2015, Carrero deixou um legado significativo para a literatura e a cultura do país. Reconhecimento e Legado Literário Nascido em Salgueiro, Pernambuco, Raimundo Carrero acumulou diversas honrarias ao longo de sua carreira. Em 2000, seu livro "As ruínas da alma" foi agraciado com o prestigioso Prêmio Jabuti. Anos antes, em 1996, a Academia Brasileira de Letras o reconheceu com o Prêmio Machado de Assis por sua obra "Somos pedras que se consomem". Desde 2004, Carrero integrava a Academia Pernambucana de Letras, que sediará seu velório, ainda sem horário divulgado. A Lenda da 'Perna Cabeluda' e a Cultura Popular Carrero é lembrado, também, por sua participação na disseminação da intrigante lenda da "perna cabeluda" nos anos 1970. A história, que ganhou destaque no filme "O agente secreto" de Kleber Mendonça Filho, foi impulsionada por Carrero em suas colunas no Diário de Pernambuco. Ele próprio relatou ao UOL, no ano passado, como a crônica transformou a lenda em algo palpável para o público: "As pessoas que se machucavam, ou que por algum motivo se envolviam em brigas, bebedeiras ou confusões, vinham procurá-lo dizendo que apanharam da perna cabeluda". Essa narrativa inusitada demonstra a capacidade de Carrero de conectar a literatura com o imaginário popular. Uma Coincidência Marcante Curiosamente, a data do falecimento de Raimundo Carrero coincide com o dia de nascimento de Ariano Suassuna, outro gigante da literatura pernambucana e amigo de Carrero. A Academia Pernambucana de Letras, em nota de pesar, ressaltou essa coincidência, sublinhando a conexão entre dois expoentes culturais de Pernambuco.