Crise Internacional e Soberania Nacional A recente troca de críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar efeitos positivos para a campanha de Lula na corrida presidencial brasileira. A avaliação é de Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas, que destacou o tema como mais um fator inesperado em uma eleição já marcada por volatilidade. Segundo Hidalgo, a reação inicial do eleitorado tende a favorecer o atual presidente, especialmente pela associação do debate à defesa da soberania nacional. "Quando se fala em soberania, é positivo ao Lula", afirmou o pesquisador em entrevista ao telejornal VEJA em Foco. Ele ressaltou que, embora as consequências finais ainda sejam incertas, o impacto imediato parece ser favorável ao governo. Eduardo Bolsonaro e o Discurso Governamental A condenação de Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) também foi analisada por Hidalgo. O diretor do Paraná Pesquisas indicou que este episódio pode reforçar a narrativa adotada pelo governo nos últimos meses, alinhando-se a um discurso de combate a discursos antidemocráticos. O pesquisador lembrou que eventos externos e acontecimentos imprevistos já influenciaram a popularidade presidencial em outras ocasiões. O ambiente eleitoral brasileiro, segundo ele, permanece altamente volátil e imprevisível, tornando difíceis as previsões de longo prazo. Flávio Bolsonaro e a Necessidade de Mudança de Foco Em relação ao senador Flávio Bolsonaro, Hidalgo apontou a necessidade urgente de uma mudança de pauta em sua campanha. A estratégia de focar em segurança pública foi vista como uma alternativa necessária diante da repercussão negativa de temas como o "tarifaço" e o caso Master, que têm desgastado a imagem do parlamentar. Para Hidalgo, a segurança pública é uma das principais preocupações da população brasileira e pode oferecer ao senador uma oportunidade de recolocar sua campanha em uma agenda mais favorável. No entanto, o sucesso dependerá da viabilidade e da aceitação das propostas pelo eleitorado, além da capacidade de deslocar a atenção dos temas que geram desgaste político. Joaquim Barbosa e a Cautela nas Pesquisas Sobre a possível candidatura do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, que se filiou recentemente ao Democracia Cristã, Hidalgo demonstrou cautela. Apesar da movimentação política e da reativação de suas redes sociais, o pesquisador observou que, até o momento, Barbosa não tem apresentado desempenho expressivo nas pesquisas de intenção de voto. Os índices atuais são considerados modestos, inferiores aos registrados em momentos anteriores em que seu nome foi cogitado para a Presidência.