Desempenho abaixo do esperado A arrecadação proveniente da tributação do Imposto de Renda sobre ganhos com dividendos, criada como contrapartida à ampliação da faixa de isenção do IR para rendimentos de até R$ 5 mil, está aquém das projeções do governo. Até o momento, apenas R$ 2,2 bilhões foram recolhidos aos cofres públicos. A expectativa da Receita Federal para o segundo semestre é de R$ 15 bilhões, totalizando R$ 17,2 bilhões até o fim do ano. No entanto, a meta estabelecida no Orçamento era de R$ 28 bilhões, indicando uma frustração significativa com o desempenho da medida. Meta fiscal em risco? A previsão de renúncia de receitas com a isenção do IR até R$ 5 mil também é de R$ 28 bilhões. Essas projeções foram divulgadas no relatório bimestral de receitas e despesas. Para 2026, o documento estima um superávit primário de R$ 10,8 bilhões, o que se enquadra na meta de 0,25% do PIB (R$ 34,3 bilhões), com margem de tolerância de até 0,50% do PIB. No entanto, a arrecadação menor com dividendos levanta questionamentos sobre o cumprimento das metas fiscais. Ministro apela por cautela O Ministro do Planejamento, Bruno Moretti, tentou minimizar a situação, argumentando que o desempenho dessa receita não é linear e pode se comportar de maneira diferente no restante do ano. Ele destacou que outras fontes de arrecadação estão surpreendendo positivamente, como o próprio Imposto de Renda total, que teve um aumento de R$ 12,7 bilhões em relação ao relatório anterior. Moretti afirmou que a segurança sobre o cumprimento da meta fiscal com folga se mantém, mas que novas avaliações serão feitas nos próximos relatórios com dados mais atualizados. Otimismo cauteloso para o futuro O ministro ressaltou que ainda há uma margem considerável na meta fiscal e que a avaliação sobre a necessidade de ajustes será feita com base na evolução dos números. "Não dá pra tratar isso de maneira linear. Agora, nós já vamos entrando no segundo semestre, de fato, haverá mais base pra gente entender se essa projeção se mantém ou não", declarou. A expectativa é que, com dados mais consolidados no próximo relatório, seja possível tomar decisões mais assertivas sobre as projeções fiscais e a performance da arrecadação com dividendos.