Caso levanta questões sobre a Lei de Autodeterminação na Alemanha A ativista alemã de extrema-direita Marla-Svenja Liebich, de 55 anos, teve sua transferência para uma prisão masculina determinada nesta quinta-feira (16), após ser extraditada da República Tcheca para a Alemanha. Liebich, que anteriormente usava o nome Sven e alterou legalmente seu gênero para feminino no final de 2024, foi inicialmente encaminhada a um presídio feminino em Chemnitz, no estado da Saxônia. No entanto, a administração penitenciária reavaliou a situação e decidiu que ela cumprirá sua pena em uma unidade masculina. Decisão judicial e posicionamento da ministra da Justiça Segundo o Ministério da Justiça da Saxônia, a decisão de transferir Liebich para uma prisão masculina foi tomada por especialistas em conjunto com a administração penitenciária, sem a intervenção direta da ministra Constanze Geiert. Em comunicado oficial, a ministra elogiou a medida, afirmando que "truques, enganos e jogos nunca prevalecem dentro do Estado de direito". Ela destacou que o estabelecimento prisional agiu rapidamente para esclarecer a situação e que a decisão priorizou "a segurança das mulheres no sistema penitenciário de Chemnitz". Condenações e a controversa mudança de gênero Liebich, figura conhecida no cenário extremista de direita na Alemanha Oriental, foi condenada em 2023 a um ano e meio de prisão por crimes como incitação ao ódio racial, difamação, insulto e invasão de propriedade. Na época da condenação, ela ainda era legalmente reconhecida como homem. Após a entrada em vigor da Lei de Autodeterminação em novembro de 2024, Liebich registrou oficialmente seu gênero como feminino. Essa mudança gerou críticas e foi apontada por opositores como uma tentativa de burlar a legislação vigente. Fuga, extradição e o debate sobre a legislação Liebich deveria ter se apresentado a uma prisão feminina em agosto de 2025, mas desapareceu, tornando-se foragida. Ela foi presa no início de abril deste ano na República Tcheca, em cumprimento a um mandado de prisão europeu. Tribunais tchecos rejeitaram seus recursos contra a extradição. Durante uma audiência em maio, Liebich expressou receio de ser enviada a uma prisão masculina ao retornar à Alemanha. O caso reacendeu o debate sobre possíveis brechas na Lei de Autodeterminação, com o governo já anunciando a intenção de revisar a norma, que está em vigor desde novembro de 2024.