Nova biografia celebra 50 anos de carreira do músico Um ícone da música brasileira, Djavan, de 77 anos, é homenageado com uma nova biografia que celebra seus 50 anos de carreira. Escrito por Tiago Ramos e Mattos, o livro "Djavan – Dizem que o amor atrai" oferece um mergulho histórico na trajetória do artista alagoano, conhecido por sucessos como "Oceano" e "Samurai". A obra apresenta informações inéditas sobre a vida e obra de um dos compositores e intérpretes mais influentes da MPB. Pesquisa e proximidade familiar marcam o processo de escrita O interesse pela vida de Djavan surgiu em 2022, após o biógrafo assistir a um show do cantor. O que começou como a ideia de um artigo se expandiu para um livro devido à riqueza de detalhes encontrados. Apesar de não ter tido a autorização direta de Djavan para a obra, Tiago Ramos realizou uma extensa pesquisa, incluindo entrevistas com familiares e amigos de infância em Maceió, para preencher lacunas e dar substância ao livro. Ele revelou que, em certa ocasião, esteve próximo de Djavan em uma praia, mas optou por não o abordar para não interromper um momento familiar. Decisão de omitir declaração polêmica Uma das decisões editoriais tomadas pelo biógrafo foi a omissão de uma declaração de Djavan em 2018, na qual o cantor mencionou ver "esperança" no Brasil logo após a eleição de Jair Bolsonaro. Tiago Ramos justificou a exclusão afirmando que não quis polemizar e que a declaração não tem relevância diante da grandiosidade da obra do artista. Segundo o biógrafo, a fala pode ter sido mal interpretada e Djavan, que sempre trabalhou por pautas democráticas, como o "Diretas Já", acredita no Brasil e em sua democracia. Informações inéditas e a relação familiar do artista Entre as novidades trazidas pelo livro, destaca-se a dinâmica familiar de Djavan. O biógrafo aponta que, apesar da admiração, não há deslumbramento na relação entre o cantor e seus parentes. Um sobrinho, por exemplo, prefere ser reconhecido como "filho da Djanira", e a própria Djanira afirmava que Djavan era seu irmão, e não o contrário. A obra também revela hábitos do artista, como sua espiritualidade e o costume de frequentar uma igreja franciscana em seu bairro natal, por vezes disfarçado para evitar alvoroço, e o fato de que ele cabulava aulas para se dedicar à banda LSD, que integrou no início da carreira.