Diplomatas com foco em direitos humanos e liberdade religiosa barrados O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou a concessão de vistos de entrada para dois altos funcionários do Departamento de Estado americano, Riley M. Barnes e Samuel D. Samson. A informação, divulgada inicialmente pelo Washington Post e confirmada por VEJA, gerou repercussão por envolver figuras ligadas ao senador republicano Marco Rubio e à política externa do ex-presidente Donald Trump. Barnes, subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) e Coordenador Especial dos EUA para Assuntos Tibetanos, e Samson, subsecretário adjunto com responsabilidades sobre direitos naturais americanos e políticas de interesse ocidental, teriam como justificativa oficial para a visita a discussão sobre liberdade de expressão no contexto eleitoral brasileiro. Conexões com a política externa de Trump e agenda conservadora Samuel Samson, em particular, tem um histórico de alinhamento com a agenda "America First" de Donald Trump. Ele coordena iniciativas regionais e projetos estratégicos voltados à implementação dessa diretriz na política externa dos Estados Unidos. Sua atuação em viagens recentes à África e Europa visava ampliar a agenda de Trump e fortalecer laços com movimentos e lideranças de direita. A formação acadêmica de ambos os diplomatas também chama a atenção. Barnes possui graduação em Ciência Política e mestrado em Relações Internacionais. Samson, natural do Texas, tem formação voltada à teoria do direito natural, área que se conecta com a defesa de interesses civilizatórios dos Estados Unidos e do Ocidente, conforme descrito em suas funções. Itamaraty confirma, mas sem detalhar motivos Procurado pela reportagem, o Itamaraty confirmou a negativa dos vistos, mas não ofereceu detalhes ou justificativas específicas para a decisão. A medida reacende o debate sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em um cenário de governos com visões distintas sobre políticas internacionais e direitos humanos.