Nova função para local controverso A Áustria inaugurará nesta semana uma delegacia de polícia no prédio onde Adolf Hitler nasceu em 1889. A medida visa encerrar décadas de debates sobre como impedir que o imóvel se torne um ponto de peregrinação para extremistas de direita. A reforma, que custou 20 milhões de euros (cerca de R$ 127 milhões), foi realizada após a nacionalização do edifício, localizado em Braunau am Inn, na fronteira com a Alemanha. O ministro do Interior, Gerhard Karner, fará a inauguração oficial. Comissão descarta museu e demolição Uma comissão de especialistas criada pelo governo descartou a ideia de transformar o imóvel em um museu, argumentando que um espaço de memória poderia ser apropriado ou distorcido por simpatizantes do nazismo. A demolição também foi rejeitada, pois o prédio do século XVII é parte do centro histórico da cidade e protegido por leis de preservação do patrimônio. Segundo o relatório de 2016 da comissão, o uso como delegacia garante acesso público restrito, a presença do Estado e transmite estabilidade e confiança à população. Opinião pública dividida A decisão, no entanto, ainda gera críticas. Uma pesquisa de 2023 revelou que apenas 6% dos entrevistados defendiam o uso administrativo do prédio. Mais da metade preferia a criação de um centro dedicado à memória, ao antifascismo e à tolerância, enquanto um quarto apoiava a demolição. Histórico do edifício e o debate sobre memória Durante o regime nazista, a casa foi conhecida como a "Galeria Braunau na Casa Natal do Führer". Após ser devolvida aos proprietários originais em 1952, o governo a alugou novamente. Ao longo das décadas, funcionou como escola e centro de assistência social, até ser desapropriada pelo Estado em 2016. O arquiteto Stefan Marte, responsável pela obra, informou que a reforma buscou recuperar as características originais do século XVII. O destino da casa natal de Hitler faz parte de um debate mais amplo na Áustria sobre a memória do nazismo, com o país buscando reconhecer a participação de austríacos no regime, além da narrativa de ter sido apenas uma vítima da anexação alemã.