Estratégia de Neutralidade do Centrão Dificulta Alianças para Flávio Bolsonaro A decisão do Centrão de manter uma postura de neutralidade na disputa presidencial está isolando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), às vésperas da convenção partidária. Sem conseguir atrair partidos como PP, União Brasil e Republicanos, o pré-candidato se vê forçado a considerar uma chapa pura, com um vice de dentro do próprio PL. Essa avaliação é da analista de Política da CNN, Isabel Mega, que aponta o pragmatismo do Centrão como um obstáculo para o bolsonarismo neste momento pré-eleitoral. Partidos do Centrão Evitam Compromisso Imediato Integrantes do Centrão, que historicamente detêm grande representatividade no Congresso, estão optando por aguardar o desenrolar do cenário político. Partidos como Republicanos, a Federação União Progressista e o Podemos caminham para a neutralidade, segundo Mega. "O Centrão é aquela coisa da postura pragmática, de bom, para a gente não está sendo muito útil nesse momento se posicionar em relação a qualquer candidato à Presidência da República", explicou a analista, ressaltando que essa tendência se acentua no primeiro turno das eleições, quando o bloco prefere preservar suas opções. Chapa Pura Como Consequência do Isolamento Político Diante desse cenário, a tendência é que Flávio Bolsonaro compareça à convenção partidária sem um nome definido para vice, com a possibilidade de a chapa ser composta inteiramente por membros do PL. "Querendo ou não, essa ação neutra do Centrão vai empurrando Flávio para essa solução caseira", afirmou Isabel Mega. Embora algumas deputadas do PL sejam cogitadas para a vaga de vice, nenhuma confirmação foi feita até o momento. O fenômeno da chapa pura, no entanto, não é exclusivo do bolsonarismo, com o PSD também apresentando Ronaldo Caiado como pré-candidato com Gilberto Kassab como vice. Neutralidade Estratégica para o Segundo Turno A analista Isabel Mega destaca que a neutralidade do Centrão possui um efeito estratégico de longo prazo. Com um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro sendo um dos mais prováveis, o bloco se posiciona para negociar com o vencedor. Apesar de uma proximidade ideológica maior com Bolsonaro, o Centrão já compôs a base do governo atual, com partidos como Republicanos e União Progressista tendo ministérios na gestão petista. A estratégia, portanto, é resguardar posições agora para negociar com maior força após a definição do primeiro turno.