Cortes e Mudanças na Ajuda Externa dos EUA Afetam Crianças com HIV Uma análise recente revela que cortes e alterações na ajuda externa promovidos pelo governo dos Estados Unidos, durante a administração de Donald Trump, resultaram em uma redução no número de crianças recebendo tratamento para HIV com apoio americano. O estudo, apresentado nesta terça-feira (21), estima que cerca de 77 mil crianças deixaram de ser atendidas em comparação com o ano fiscal anterior, até outubro de 2025. É importante notar que estes dados se referem especificamente ao auxílio dos EUA, e algumas crianças podem ter continuado o tratamento por meio de outros doadores ou governos. Declínio de 14% no Tratamento Pediátrico Apoiado pelos EUA A pesquisa, que analisou dados do Plano de Emergência do Presidente para o Alívio da Aids (Pepfar), programa internacional dos EUA de combate ao HIV, constatou um declínio de aproximadamente 14% no tratamento pediátrico apoiado pelos EUA. A análise abrangeu 20 dos 21 países monitorados, com a África do Sul registrando o maior impacto absoluto, com cerca de 30 mil crianças a menos recebendo apoio, o que representa uma queda de 45%. Zimbábue, Quênia e Malaui também apresentaram reduções expressivas. Em cinco países – Uganda, Haiti, Zâmbia, África do Sul e Quênia –, as quedas foram mais acentuadas do que as projeções indicavam. Impacto Real em Comunidades Afetadas Ativistas da saúde na linha de frente confirmam o impacto dos cortes. Susan Wairimu Metta, que atua em comunidades afetadas pelo HIV no Quênia, relatou que a redução no financiamento afetou diretamente os cuidados pediátricos. Segundo ela, a menor disponibilidade de grupos de apoio comunitário e a introdução de novas taxas para exames, antes gratuitos, dificultaram o engajamento das famílias no tratamento. Essa situação levou a um aumento de crianças com HIV em estágio avançado em sua região. Embora a situação tenha melhorado com intervenções do governo queniano, muitos sistemas de apoio comunitário essenciais ainda não foram totalmente restabelecidos. Pesquisadores Alertam para a Urgência Kenneth Ngure, professor de saúde global e coautor do estudo, ressaltou que os dados atuais são sinais de alerta e que as crianças não podem esperar por avaliações mais detalhadas. Outras análises, incluindo as da Unaids, também têm apontado lacunas na resposta ao HIV desde os cortes. O Departamento de Estado dos EUA não comentou o pedido de informações sobre o estudo.