O Crescente Fardo Psicológico no Mundo Corporativo Um panorama preocupante sobre a saúde mental no ambiente de trabalho tem emergido, evidenciado pelo lançamento do livro "O poder da compaixão no ambiente de trabalho", de Lisa Polloni. A obra aborda o estresse, a depressão e o burnout como elementos intrínsecos à estrutura do trabalho no século XXI. Polloni, com vasta experiência em liderança e cultura organizacional, explica que, diferente da sociedade disciplinar do passado, a pressão atual é autoinfligida, impulsionada por uma busca incessante por desempenho individual, conforme argumenta o filósofo Byung-Chul Han. Autônomos e Empregados: Uma Pressão Compartilhada A pressão por resultados não poupa ninguém. Autônomos, freelancers e empreendedores vivenciam uma autovigilância constante, onde a idealização do "tudo é possível" pode levar à frustração, especialmente para os menos favorecidos, que muitas vezes precisam continuar trabalhando mesmo doentes para sobreviver. Essa exigência autoimposta reflete-se até em slogans populares, demonstrando a internalização da necessidade de performance. Saúde Mental e o Aprofundamento da Desigualdade O economista Michael França destaca em sua coluna na Folha de S.Paulo que o adoecimento coletivo agrava a desigualdade social. Para aqueles com menos recursos, a capacidade de resiliência é drenada, e o sofrimento psíquico se manifesta sem o "anestésico" que alguns podem ter acesso. A dificuldade em arcar com tratamentos terapêuticos é uma realidade para a maioria dos brasileiros. Desconhecimento e Lentidão no Acesso à Saúde Mental no SUS Uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) revelou que quase 70% dos brasileiros desconhecem a possibilidade de atendimento psiquiátrico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além da falta de informação, a demora no acesso é um obstáculo significativo, com tempos de espera que podem chegar a quase três anos em algumas regiões, como no Distrito Federal. A atualização da NR-1, que tornou obrigatória a inclusão de riscos psicossociais nos programas de gestão de risco das empresas, foi um avanço, mas sua aplicação de multas foi suspensa pelo STF. Os dados do Ministério da Previdência Social de 2025 indicam mais de meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, com um custo bilionário em benefícios do INSS. Fortalecer o atendimento psicológico e psiquiátrico no SUS e repensar a relação com o trabalho tornam-se urgências nacionais.