Famílias brasileiras recorrem massivamente a empréstimos para cobrir despesas básicas. Pagar contas em aberto se consolidou como a principal razão para os brasileiros buscarem empréstimos pessoais digitais. Em dezembro de 2025, essa finalidade foi informada em impressionantes 91,4% das solicitações, um salto significativo em relação aos 66% registrados em outubro de 2024. O dado, parte do estudo IJBE Q1/2026 da Juros Baixos, analisou mais de 10 milhões de pedidos de crédito reais, totalizando mais de R$ 50 bilhões demandados. A pesquisa aponta que, no pico da série histórica, apenas uma em cada dez solicitações de empréstimo não estava relacionada ao pagamento de dívidas, boletos ou outras despesas correntes. Aceleração preocupante em maio de 2025 O aumento mais expressivo na busca por crédito para cobrir despesas mensais ocorreu em maio de 2025. Naquele mês, a categoria "contas mensais" saltou de 67% para 84,5% das solicitações, um acréscimo de 17,5 pontos percentuais em apenas 30 dias. Esse movimento coincidiu com a elevação da taxa Selic para 14,75% ao ano e com o período de maior pressão inflacionária, medido pelo IPCA. Desde então, os indicadores não retornaram aos patamares anteriores. Em contrapartida, outras finalidades de empréstimo perderam relevância. Solicitações para investimento caíram de 10,4% para 2,5%, e para casa e reforma, para 1,4% do total, ambas marcando os menores índices da série analisada. Mais pedidos, porém de menor valor Apesar do crescimento no volume de solicitações, o valor médio pedido em empréstimos diminuiu 26% no período. Essa combinação sugere uma busca maior por quantias menores, destinadas a cobrir necessidades específicas do orçamento doméstico. O estudo também revela que os consumidores estão mais cautelosos, realizando em média 2,56 simulações antes de fechar um empréstimo. Demanda por crédito cresce mesmo com juros altos O período analisado pelo IJBE foi marcado por um ciclo de aperto monetário, com a Selic saindo de 10,75% ao ano em outubro de 2024 para 15% em julho de 2025, permanecendo nesse patamar por oito meses. Mesmo com o crédito mais caro, o número de solicitações na plataforma da Juros Baixos aumentou 2,6 vezes. "No curto prazo, a urgência de pagar uma conta vencida pode pesar mais na decisão do consumidor do que a expectativa de queda dos juros", explica Arthur Bonzi, COO da Juros Baixos. A inflação, com alta acumulada de 4,26% em 2025, também pressionou o orçamento das famílias, contribuindo para o aumento da procura por crédito. O que ainda afasta brasileiros do crédito formal O estudo também identificou os principais obstáculos para a contratação de crédito pessoal. A falta de planejamento financeiro foi o fator mais citado (68%), seguida pelo receio de endividamento excessivo (54%) e pela percepção de juros elevados (49%). A incerteza sobre a capacidade de pagamento (42%), o desconhecimento dos produtos disponíveis (31%) e o score de crédito insuficiente (27%) também figuram na lista. Para a Juros Baixos, as barreiras vão além da aprovação das instituições financeiras, envolvendo também informação, organização orçamentária e comparação de ofertas.