Investigação da CVM em Andamento A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) iniciou um processo administrativo para apurar supostas interferências na renúncia de Daniel André Stieler, presidente do conselho de administração da Vale. A investigação atende a um pedido do investidor Renato Sobral Pires Chaves e busca esclarecer se a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e acionista de referência da mineradora, exerceu pressão indevida para a saída de Stieler. A informação foi confirmada pela CVM em nota enviada à VEJA Negócios. Previ Indica Novo Nome e Defende Ação como Prática de Governança Notícias sobre a saída de Stieler por pressão da Previ circularam intensamente na semana. Em resposta, a Previ informou que indicou José Maurício Pereira Coelho para o posto, com eleição prevista para o dia 22. O fundo de pensão justificou a indicação como parte de seu papel de investidor institucional, focado na fiscalização e promoção das melhores práticas de governança corporativa. Segundo a Previ, a substituição faz parte de um processo natural de renovação e atende às demandas do mercado por maior independência e fortalecimento institucional. Coelho, que já presidiu o Conselho de Administração da Vale entre 2019 e 2021, foi descrito como uma indicação técnica, relevante e com receptividade de mercado, possuindo sólida trajetória em finanças e governança. Pedido de Investidor Levanta Questões sobre Influência do Governo O pedido de investigação apresentado pelo investidor à CVM visa determinar se a saída do presidente do conselho configurou ingerência na governança da Vale. A preocupação reside no fato de a Previ administrar fundos de previdência de funcionários do Banco do Brasil, instituição controlada pelo governo federal. O processo administrativo tramita sob sigilo na CVM, que não fornecerá comentários adicionais. Vale Afirma que Renúncia Foi Decisão Pessoal de Stieler Em comunicado ao mercado, a Vale declarou que a renúncia de Daniel André Stieler foi uma decisão pessoal, formalizada em carta enviada à companhia em 6 de julho. A mineradora informou que a saída ocorreu antes do término do mandato e foi motivada pela decisão de Stieler de não resistir à pressão da Previ, visando o melhor interesse da empresa. Dada a natureza não prevista do desligamento e a existência de temas estratégicos em desenvolvimento, a Vale celebrou um contrato com Stieler, que inclui cláusulas de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade por 24 meses, devido ao acesso a informações confidenciais e estratégicas que ele teve durante seu período na companhia.