Decisão Inédita: Diarista não será julgada por Júri Popular em caso de duplo homicídio em BH A diarista Paola Stefany Neto Cirino, que confessou ter assassinado o casal de idosos Cláudio Atala Inácio, 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, em Belo Horizonte, não será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital mineira, que declarou a incompetência do órgão para analisar o caso. Entenda a Classificação do Crime: Latrocínio x Homicídio A magistrada baseou sua decisão no artigo 74, § 1º, do Código de Processo Penal (CPP), que define os crimes de competência do Tribunal do Júri. Estes são, majoritariamente, os crimes dolosos contra a vida, como homicídio, aborto e infanticídio. No entanto, Paola Stefany responde por latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Por ser classificado como crime patrimonial e não contra a vida, o caso não se enquadra nas hipóteses legais para julgamento pelo júri popular. Com a decisão, o processo será encaminhado à Vara de Garantias, que deverá determinar a remessa do caso para uma vara criminal comum. A juíza, em sua fundamentação, explicitou que o delito cometido pela diarista "não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 74, § 1º, do Código de Processo Penal (CPP)". Relembre o Crime Chocante em Belo Horizonte Paola Stefany foi presa em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, dias após sedar e matar o casal de idosos com facadas. Segundo a investigação, a diarista chegou ao apartamento do casal, na região centro-sul de BH, por volta das 7h20 para um serviço de faxina. Durante o período em que esteve no imóvel, ela teria oferecido um suco com quatro comprimidos de seus próprios remédios antidepressivos ao casal. Após as vítimas adormecerem, Paola desferiu golpes de faca contra Cláudio Atala Inácio e, em seguida, contra Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio. Além dos assassinatos, a diarista roubou joias, dinheiro e outros bens do apartamento de luxo. Ela chegou a vender relógios subtraídos, avaliados em R$ 108 mil, na região da Praça Sete, em Belo Horizonte. Imagens de câmeras de segurança do prédio registraram Paola entrando no edifício às 7h30 e saindo às 15h30 com duas sacolas e uma bolsa. Roupas com manchas de sangue foram posteriormente localizadas em uma caçamba de lixo. Pedido de Incidente de Insanidade Mental pela Defesa A defesa de Paola Stefany informou que solicitará à Justiça a instauração de um "incidente de insanidade mental". Segundo o advogado Bruno Corrêa, a diarista tem apresentado "confusão mental, lapsos de memória e pensamentos suicidas". A afirmação ocorreu após a Polícia Civil realizar a reconstituição do crime, na qual Paola participou e demonstrou dificuldade em relatar os fatos de forma clara e inequívoca. O advogado destacou que a diarista possui histórico de atendimentos em unidades de saúde mental, o que reforça o pedido para a avaliação de sua sanidade mental. A defesa alega que, durante a reconstituição, houve momentos em que foi necessário pausar a reprodução para que Paola se recuperasse e tentasse recordar os eventos.