Cenário Alarmante para Crianças e Adolescentes Em 2025, o Brasil registrou mais de 84.000 vítimas de estupro, um número que, embora tenha apresentado uma ligeira queda em relação ao ano anterior, ainda revela um cenário preocupante. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (22), impressionantes 60,3% das vítimas são crianças e adolescentes com até 13 anos de idade. Isso significa que seis em cada dez pessoas que sofreram violência sexual no país são menores de idade. Estupro de Vulnerável: 77% dos Casos O conceito de estupro de vulnerável, que abrange vítimas menores de 14 anos ou com deficiências exploradas pelo agressor, representa a vasta maioria dos casos, atingindo quase 65.000 ocorrências em 2025, o que equivale a 77% do total. A taxa geral de abuso sexual no país é de 39,5 casos a cada 100.000 habitantes. Queda nos Registros: Sinal de Melhora ou Subnotificação? Em um ponto que pode indicar uma melhora, os casos de estupro e estupro de vulnerável apresentaram uma queda de 5,4% em 2025, totalizando 84.388 registros, contra 88.843 em 2024. Essa é a primeira redução observada desde 2020, ano marcado pelo início da pandemia de Covid-19. Contudo, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública atribui essa diminuição mais à subnotificação do que a uma real redução da violência. A hipótese é que muitos episódios podem ter sido registrados inicialmente em unidades de saúde, sem necessariamente se converterem em boletins de ocorrência, além de possíveis mudanças na oferta de serviços de atendimento e denúncia. Perfil das Vítimas e Agressores O Anuário também destaca que 88% das vítimas de estupro no Brasil são mulheres. Em relação à raça, 57% dos abusos foram cometidos contra pessoas negras. Crianças de até nove anos representam mais de um quarto das vítimas. O agressor, na grande maioria dos casos, é alguém próximo à vítima. Entre as vítimas com mais de 14 anos, 30% foram abusadas por familiares e 29,6% por parceiros. No caso de meninas com até 13 anos, seis em cada dez estupros (59,2%) tiveram um familiar como autor.