Crítica à Polarização e a Esgotamento dos Modelos Atuais O filósofo Denis Rosenfield criticou veementemente a polarização política no Brasil, que ele considera um cenário desgastado, dividido entre o bolsonarismo e o lulopetismo. Em entrevista à CNN Brasil, Rosenfield argumentou que ambos os modelos políticos estão esgotados. Ele apontou que os governos petistas, em quase duas décadas, frequentemente culpam terceiros por problemas que, segundo ele, são de sua própria responsabilidade, citando a crise fiscal, a dificuldade em conter a inflação e o alto custo dos juros como entraves ao desenvolvimento e que levam o país a um processo de estagnação. Do outro lado, Rosenfield descreveu a direita bolsonarista como focada em defender um "suposto legado" do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que, em sua visão, comprometeu princípios democráticos e liberais. Ele criticou o que chamou de "princípio do clã" ou "da tribo" na política bolsonarista, exemplificando com a candidatura de Flávio Bolsonaro, justificada unicamente por ser filho. O filósofo também mencionou escândalos como o do Banco Master, que, segundo ele, envolvem envolvimento com figuras questionáveis, e que não podem ser tratados como assuntos privados em um candidato a presidente. Proposta de uma Nova Direita Unificada Para superar essa dicotomia, Rosenfield defende o surgimento de uma "nova direita", com contornos claros e isenta dos problemas associados à família Bolsonaro. Essa nova direita, em sua análise, deveria reconhecer os princípios liberais, mas desvinculada de interesses corporativos e privilégios. Ele propõe uma agenda que inclua a redução de impostos, a diminuição do poder do Estado, a retomada de privatizações e a volta aos princípios de uma economia de mercado. Um ponto central da proposta de Rosenfield é a formação de uma chapa unificada para disputar as eleições presidenciais. Ele sugere a união de nomes como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de Renan Santos (Missão) e o ex-presidente Michel Temer. Segundo o filósofo, Temer seria uma figura capaz de "congregar e dar esse sentido de unidade no país". Essa chapa unificada teria potencial para competir com a gestão petista, que, na avaliação de Rosenfield, enfrenta uma crise fiscal e um processo de estagnação econômica. A Necessidade de Romper com o Modelo Bolsonaro e a Proposta de Anistia Rosenfield enfatiza a necessidade de romper com o "modelo bolsonarista de fazer política", especialmente sua abordagem familiar e de clã. No entanto, ele reconhece que a família Bolsonaro detém uma base eleitoral significativa, em torno de 30% dos eleitores. Por isso, ele sugere que a "nova direita" precisará compor com essa base. Uma forma de fazer isso seria através da concessão de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que, na visão do filósofo, seria o principal objetivo da família Bolsonaro neste momento: tirar o ex-presidente da prisão. "Eu acho que, no fundo, o que a família Bolsonaro quer é tirar o pai da prisão - da prisão domiciliar agora. O que eles querem agora, precisamente, é a anistia", pontuou Rosenfield. Ele compara a situação com o fim do regime militar, quando uma anistia geral permitiu a recomposição do país e o início de um novo caminho. Para Rosenfield, o Brasil deveria seguir um caminho semelhante agora, negociando essa anistia como parte de um "governo de unidade nacional". O Papel de Lula e as Dificuldades da Terceira Via O filósofo analisa que a liderança de Lula nas pesquisas se deve a uma combinação de fatores, incluindo seu carisma e capacidade de comunicação, mesmo com um discurso considerado antiquado. Além disso, ele destaca o gasto público desproporcional do governo atual, que, apesar da crise fiscal, tem recursos para projetos eleitorais. Rosenfield também aponta que a própria oposição, com declarações e ações que favorecem Lula, como questionamentos às urnas eletrônicas e declarações que prejudicam a imagem do Brasil internacionalmente, acabam por fortalecer a candidatura do presidente. Sobre a "terceira via", Rosenfield lamenta que nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado não tenham conseguido romper a polarização. Ele atribui essa dificuldade à falta de articulação, à ausência de mídia social suficiente, e à incapacidade de formar coligações partidárias sólidas. Para ele, é crucial que essas forças se unam, abandonem rivalidades pessoais e vaidades, e pensem no "bem maior, que é o Brasil", apresentando uma candidatura viável que vá além da simples oposição ao PT e que ofereça novos projetos para o país.