Discurso sem provas ecoa o de 2022 Flávio Bolsonaro (PL) voltou a semear desconfiança sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro, repetindo a estratégia de seu pai, Jair Bolsonaro, durante a campanha presidencial de 2022. Em um encontro com diplomatas, o senador levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas e a empresa Smartmatic, alegando ligações com a Venezuela e possíveis fraudes, informações que já foram amplamente desmentidas pela Justiça Eleitoral. Alegações antigas e refutadas pela Justiça Eleitoral Em julho de 2022, Jair Bolsonaro, então presidente, reuniu embaixadores para apresentar supostas vulnerabilidades no sistema de votação eletrônica, sem apresentar provas concretas. Esse discurso custou-lhe a inelegibilidade até 2030, por abuso de poder político. Recentemente, foi sentenciado a mais de 27 anos de prisão por crimes contra a Constituição, incluindo tentativa de golpe de estado. A fala de Flávio Bolsonaro, dois anos após o comício do pai, sugere uma estratégia coordenada. Empresa Smartmatic e a Justiça Eleitoral Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras utilizam tecnologia da empresa Smartmatic, citando um suposto relatório da CIA que apontaria envolvimento da empresa em fraudes na Venezuela. No entanto, a Justiça Eleitoral esclarece há anos que a Smartmatic não fornece urnas ou softwares para o processo eleitoral brasileiro. Segundo o órgão, todo o sistema é concebido e gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país. Histórico de investigações e multas ao PL Em 2019, Flávio e Jair Bolsonaro teriam incentivado a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a investigar a Smartmatic. Um memorando interno da Abin mencionou a participação da empresa em uma licitação para treinamento de técnicos em 2012, base para denúncias sobre o uso de urnas semelhantes às da Venezuela. Em 2022, o Partido Liberal (PL), de Bolsonaro, financiou um laudo técnico sobre supostas vulnerabilidades das urnas, que foi considerado manipulado por perícia. O partido pediu recontagem de votos, mas a Justiça Eleitoral rejeitou o pedido e multou o PL em R$ 22 milhões por litigância de má-fé.