Estratégia política para 2027 O governo Lula decidiu adotar uma estratégia familiar para navegar um ano de Copa do Mundo e eleição presidencial: suspender, por ora, qualquer aumento na tributação da cerveja. A Fazenda planeja transferir a carga tributária atual do IPI para o Imposto Seletivo (IS) somente em 2027. A discussão sobre uma tributação progressiva para bebidas alcoólicas e cigarros foi postergada para os anos seguintes, revelando uma clara conveniência política. Semelhanças com a gestão Dilma A decisão ecoa a tática utilizada por Dilma Rousseff em 2014. Na época, às vésperas da Copa do Mundo sediada no Brasil e da eleição presidencial, o então ministro Guido Mantega adiou por três meses a correção tributária sobre cervejas e refrigerantes. Mantega chegou a anunciar um pacto com a indústria para evitar aumentos de preço durante o Mundial. Assim como em 2014, quando o ajuste foi prometido para depois, o discurso atual de Dario Durigan fala em "transição suave" e em um Imposto Seletivo progressivo a ser discutido após 2027. Vitória da indústria e lei em xeque Nos bastidores, a manutenção da carga tributária atual representa uma conquista significativa para a indústria de bebidas. O setor tem pressionado para que a regulamentação do novo Imposto Seletivo preserve as vantagens e distorções do regime anterior, incluindo benefícios para a Zona Franca de Manaus. Contudo, a Lei Complementar 214 estabelece que a definição das alíquotas do IS não deve ficar condicionada à manutenção da carga tributária de setores específicos. O tributo, criado para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, entrará em vigor em 2027. O futuro da tributação da cerveja A alíquota final do Imposto Seletivo dependerá de uma proposta do Poder Executivo e da aprovação do Congresso Nacional. Até lá, a ordem é clara: não alterar o preço da cerveja. A definição de quem arcará com os custos reais da tributação foi adiada para depois dos eventos esportivos e eleitorais, deixando a conta para ser paga em um momento politicamente mais oportuno.