O Palco da Disputa: Gôndolas de Supermercado A inflação dos alimentos já se tornou o centro do debate político, antecipando embates acirrados entre o governo e a oposição. A estratégia oposicionista, personificada por Flávio Bolsonaro, tem como palco as gôndolas de supermercados e açougues. Vídeos divulgados em redes sociais mostram o senador percorrendo corredores, selecionando itens como leite, ovos, café, picanha e cerveja, e, em seguida, expressando espanto com o valor da conta. Em uma das gravações, ele afirma ter gasto R$ 100 em um pedaço de coxão mole, farofa e pão de alho, e lamenta a impossibilidade de comprar picanha devido ao alto preço. Essas performances funcionam como ensaios para um dos temas que a oposição pretende explorar exaustivamente na campanha: o custo dos alimentos. Pesquisas indicam que a maioria dos brasileiros percebe a escalada dos preços, um cenário que, em tempos eleitorais, gera pessimismo e pode deteriorar a imagem do governante. O poder de compra do cidadão, refletido no bolso, é um poderoso cabo eleitoral, e tanto Flávio Bolsonaro quanto o presidente Lula estão cientes disso. A Retórica da Campanha de 2022 e a Realidade Atual Na campanha de 2022, o atual presidente, então candidato de oposição, também explorou o tema da inflação alimentar com métodos semelhantes. Em eventos, militantes apresentavam carrinhos de supermercado abarrotados ou quase vazios para ilustrar a diferença no custo de vida. Lula, na época, culpava o governo de então pelo descaso com os mais pobres e prometia que, caso eleito, os menos favorecidos poderiam voltar a desfrutar de churrascos com picanha e cerveja. Essa metáfora, que se tornou um símbolo da carestia, foi amplamente utilizada pela oposição. Atualmente, pesquisas como a Genial/Quaest revelam que 66% dos brasileiros acreditam que os preços dos alimentos continuam subindo, um índice que variou entre 58% e 72% ao longo do ano. Essa preocupação afeta grande parte dos 158 milhões de eleitores. Fatores como o endividamento das famílias, o aumento dos combustíveis devido a conflitos internacionais e a consolidação da percepção de que a economia vai mal, mesmo com a desaceleração da inflação em junho, contribuem para essa visão. A Estratégia de Ataque e a Defesa do Governo A oposição, representada por Flávio Bolsonaro, visa massificar a ideia de que a carestia é culpa do governo atual, direcionando essa mensagem especialmente aos 18 milhões de eleitores indecisos. A estratégia, aconselhada pelo coordenador de campanha Rogério Marinho, utiliza a alta dos alimentos, a perda do poder aquisitivo e o endividamento como munição contra Lula. Os vídeos de Flávio comparam preços de 2019 com os atuais, destacando aumentos significativos em itens como picanha e cerveja, e alertando que o poder de compra do brasileiro