Funeral de Estado em Mashhad Após dias de cerimônias públicas, o aiatolá Ali Khamenei, falecido aos 86 anos, foi sepultado nesta quinta-feira no santuário do Imã Reza, em sua cidade natal, Mashhad. A cerimônia, realizada sob forte calor, atraiu centenas de milhares de pessoas em luto no Irã e no Iraque. A República Islâmica buscou apresentar o funeral como uma demonstração de força e unidade nacional, em um tom de desafio aos Estados Unidos e Israel, que teriam lançado ataques contra Teerã em 28 de fevereiro. Ausência Notável do Sucessor Um ponto de atenção durante o cortejo fúnebre foi a ausência de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e apontado como seu sucessor. Mojtaba não aparece em público desde que assumiu o posto de líder supremo em março, e sua presença no funeral do pai era considerada improvável por fontes iranianas. A emissora estatal IRIB informou que a cerimônia contou com a presença de membros da família do líder supremo, mas sem especificar quem. Local de Sepultamento e Simbolismo O aiatolá Ali Khamenei foi enterrado no complexo do santuário do Imã Reza, um dos locais mais sagrados do islamismo xiita no Irã. O local, conhecido por sua arquitetura suntuosa com mosaicos de cerâmica e cúpula dourada, também abriga os restos mortais de sua neta, genro, filha e Zahra Hadad Adel, esposa de Mojtaba, todos vítimas dos ataques de 28 de fevereiro. A escolha do local reforça o simbolismo da sucessão e do legado da família Khamenei. Contexto de Tensão Regional O funeral ocorre em um momento de elevada tensão regional. A data mencionada de 28 de fevereiro, quando teriam ocorrido os primeiros ataques contra Teerã, sugere um cenário de conflito que pode ter influenciado a própria morte de Khamenei e a subsequente sucessão. A forma como o governo iraniano tem gerenciado a divulgação de informações sobre o novo líder supremo, Mojtaba, contribui para um clima de incerteza sobre a estabilidade futura do país e suas relações internacionais.