Leo Bentier, conhecido por sua plataforma de inteligência tributária Seferu, anunciou um investimento de R$ 100 milhões de capital próprio para desenvolver uma nova categoria profissional no mercado financeiro: os Operadores Financeiros Independentes. A iniciativa visa criar uma infraestrutura completa para profissionais que atuarão como representantes integrais dos clientes, indo além da venda de produtos e focando na organização e financiamento de pequenas e médias empresas (PMEs) e indivíduos. O Diagnóstico: Desorganização e Falta de Representação Integral A decisão de Bentier parte de uma análise aprofundada de milhares de PMEs brasileiras. Sua ferramenta de inteligência tributária revelou um vasto potencial de valor subutilizado devido à desorganização fiscal, regimes tributários inadequados e crédito não aproveitado. No entanto, o que se destacou foi a necessidade desses empresários não de vender seus negócios, mas de serem organizados e financiados de forma contínua e integrada. “O empresário não vive em departamentos separados. Mas todo mundo que o atende, vive”, observa Bentier, destacando a fragmentação dos serviços financeiros tradicionais. A nova aposta da Seferu não é replicar o motor que precifica empresas para aquisição, mas sim construir a infraestrutura que capacitará profissionais a atenderem as necessidades financeiras completas de seus clientes. Um Mar de Profissionais sem Categoria Definida O mercado brasileiro conta com centenas de milhares de corretores de seguros, assessores de investimento e correspondentes bancários. Contudo, Bentier identifica uma lacuna: esses profissionais atuam de forma isolada, focando em apenas uma faceta da vida financeira do cliente. O vendedor de consórcios conhece um produto, o assessor opera uma plataforma específica, o correspondente distribui operações de um banco, e o planejador financeiro, embora capaz de diagnosticar, muitas vezes carece de meios para executar as soluções. “Não estou inventando uma profissão. Estou dando nome, escada e infraestrutura a uma que já existe sem os três”, afirma o empreendedor. O termo “Operador Financeiro Independente” foi cunhado para designar essa nova categoria, que se diferencia das ocupações já existentes por sua abrangência e independência de balcão. O Regulador e a Construção de um Novo Cenário Bentier argumenta que sua iniciativa está alinhada com a direção que o próprio sistema financeiro, impulsionado por medidas regulatórias, tem tomado. A comoditização do Pix, a portabilidade de dados bancários com o Open Finance, e a flexibilização para assessores de investimento se conectarem a múltiplas corretoras são exemplos de como o regulador tem fortalecido a autonomia do cliente. “Eu não estou apostando contra os bancos. Estou apostando a favor da direção que o regulador já escolheu. Só estou construindo o que falta na ponta: a pessoa equipada para exercer essa liberdade em nome de quem não tem tempo de exercê-la sozinho”, explica. A proposta brasileira difere do modelo americano, onde assessores independentes focam majoritariamente em investimentos. O Operador Financeiro Independente da Seferu cuidará do balanço financeiro integral, incluindo crédito, consórcio, seguro, patrimônio e estrutura tributária. Estrutura e Formação: Mesa e Balcão Financeiro A nova camada da Seferu será composta por duas estruturas complementares: a mesa de decisão e o balcão financeiro. Na mesa, o operador reunirá e analisará dados do cliente, identificará necessidades e comparará alternativas. O balcão financeiro oferecerá acesso a produtos de diversas instituições, como consórcios, crédito, seguros e investimentos. O acesso a essa estrutura exigirá validação rigorosa, formação e certificação. A certificação da Seferu complementará, e não substituirá, os registros regulatórios já existentes. O processo de formação seguirá uma progressão de três verbos: Descobrir (identificar problemas e oportunidades), Operar (executar soluções) e Representar (assumir a relação contínua com o cliente). Investimento e Filosofia: Independência e Paciência O investimento de R$ 100 milhões será inteiramente de capital próprio de Bentier, sem participação de venture capital ou instituições financeiras. Essa decisão visa garantir a neutralidade da plataforma e a independência dos operadores, evitando pressões por crescimento acelerado ou foco excessivo em volume de vendas. “Não faria sentido criar uma empresa para defender a independência dos operadores e, antes mesmo do lançamento, entregar essa independência a investidores externos”, justifica. A tecnologia da Palantir foi escolhida para a camada tecnológica da mesa, visando organizar informações fragmentadas em uma estrutura única de decisão. A tese central é que, com a automação crescente, o valor do profissional que conhece o cliente e responde pessoalmente por suas recomendações tende a aumentar. Bentier acredita que o aconselhamento financeiro no Brasil, como um "mercado de limões", precisa de transparência, registro e certificação para que o bom conselho seja valorizado e remunerado adequadamente. A Seferu abrirá suas portas para profissionais experientes e também para aqueles sem experiência prévia no sistema financeiro, desde que demonstrem capacidade de aprendizado, responsabilidade e compromisso com o cliente. O acesso inicial será feito através da newsletter de Leo Bentier, funcionando como um primeiro filtro para garantir que os selecionados compreendam a proposta de valor da iniciativa: a criação de uma rede financeira baseada em representação de clientes, e não em agências bancárias.