Machismo Estrutural e Resistência no Futebol Uma pesquisa recente revela que, apesar de 86% dos brasileiros discordarem da afirmação de que "futebol é coisa de homem", o percentual entre o público masculino cai para 65%. A discordância sobre o lugar da mulher ser apenas na torcida também é alta (91%), mas diminui entre os homens. A inaceitabilidade de jogadores questionarem árbitras com base no gênero é apontada por 85% dos entrevistados, caindo para 77% entre os homens. Violência Contra a Mulher e Dias de Jogo Quase oito em cada dez brasileiros (79%) afirmam já conhecer ou não se surpreender com estudos que indicam um aumento da violência doméstica em dias de jogos de futebol. Os principais fatores apontados para essa correlação são o consumo excessivo de álcool (71%), a falta de educação e respeito (57%) e a misoginia estrutural (53%). Curiosamente, apenas 26% dos homens associaram o problema ao machismo estrutural. Interesse Limitado pelo Futebol Feminino Apesar da proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, o interesse do público pelo futebol praticado por mulheres ainda é restrito. Apenas 2% dos entrevistados acompanham regularmente a modalidade, e 22% assistem de vez em quando. Um terço dos homens afirma não acompanhar o futebol feminino. Contudo, 68% concordam que a modalidade é desvalorizada por preconceito de gênero, demonstrando um reconhecimento das dificuldades enfrentadas pelas atletas. Barreiras para Árbitras, Narradoras e Torcedoras A pesquisa também evidencia que mulheres em espaços tradicionalmente masculinos no futebol enfrentam tratamento diferenciado. Noventa por cento dos brasileiros concordam que árbitras sofrem mais pressão e desrespeito do que seus colegas homens, percentual que cai para 70% entre os homens. Além disso, 79% acreditam que o conhecimento de futebol das mulheres é mais questionado por homens, e 58% sentem que elas precisam provar sua expertise para serem levadas a sério. Essa resistência se estende à credibilidade de profissionais mulheres, com 14% confiando mais em comentários esportivos masculinos, índice que sobe para 25% entre os homens. Setenta por cento dos brasileiros acreditam que a rejeição a narradoras esportivas está ligada ao machismo.