Família alegava 'disciplina correta' baseada em crenças religiosas Investigações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) revelaram que o missionário americano Dandre Jermaine Grayson e sua esposa, Mayanna Angelina Rodgers, usavam violência para "disciplinar" seus filhos, alegando que suas ações eram guiadas por "cultura e religião". O casal foi preso após o filho de 3 anos, Oliver, morrer em decorrência de espancamentos. A criança foi agredida por não cumprimentar o pai. Segundo a delegada Luana Medeiros, os pais impunham "inúmeras agressões, de ordem física e psicológica" sob o argumento de estarem "disciplinando de forma rígida, porém correta". A polícia descobriu que os outros quatro filhos do casal, com idades entre 1 e 9 anos, também eram frequentemente agredidos. Histórico de violência e acusações de tortura Mayanna, que morava no Brasil há nove anos, já havia sido acusada de agredir um dos filhos com uma cinta em São Paulo. Com base nas lesões constatadas nas crianças, Dandre e Mayanna são investigados por tentativa de homicídio, homicídio e tortura. A mãe foi presa preventivamente na quinta-feira (9). Os quatro filhos sobreviventes foram submetidos a perícias e estão sob a proteção do Conselho Tutelar, acolhidos em um abrigo. A defesa de Mayanna alega que ela é vítima de violência doméstica e se encontrava em "estado grave de vulnerabilidade". Agressões brutais e lesões fatais Oliver, o filho de 3 anos, sofreu lesões gravíssimas, incluindo deslocamento de órgãos e traumatismo craniano com achatamento do crânio. Ele chegou a ser internado na UTI do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, mas não resistiu e faleceu na quarta-feira (8). Dandre confessou as agressões, relatando que bateu no filho por ele não ter dito "bom dia". Complexidade do caso e investigações em andamento A polícia não descarta a possibilidade de Mayanna também ser vítima de violência por parte do companheiro. "De um lado, identificamos indícios de violência doméstica e familiar contra a mulher, praticada pelo pai. De outro, verificamos violências extremas, físicas e psicológicas, contra as crianças, praticadas por ele, com suspeita de que a mãe também tenha cometido esses atos ou, no mínimo, tenha sido omissa", explicou a delegada Luana Medeiros. A família, composta pelo missionário americano e pela mãe de origem japonesa, já possuía um histórico de violência registrado em Santa Catarina e São Paulo, com atendimentos pelos Conselhos Tutelares. As diligências continuam para esclarecer todos os detalhes do caso.