Morte em São Paulo acende alerta sobre segurança do exame Uma agente de organização escolar de 41 anos faleceu em São Paulo após ter o intestino perfurado durante a realização de uma colonoscopia. Mariana dos Santos Candido precisou de cirurgia emergencial, mas não resistiu às complicações. A Secretaria Municipal de Saúde abriu uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do incidente na clínica responsável pelo exame, que atende o Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo há 25 anos. Colonoscopia: um exame seguro e fundamental na prevenção A colonoscopia é um procedimento médico amplamente utilizado para rastrear e diagnosticar alterações intestinais, incluindo o câncer de intestino. Introduzido em 1969, o exame consiste na inserção de um tubo flexível com câmera (endoscópio) no reto e cólon, permitindo a visualização interna e a remoção de pólipos que podem se tornar cancerosos. Especialistas afirmam que o procedimento é "muito, muito seguro" e tem sido extraordinariamente bem-sucedido na redução do risco de câncer de intestino, com milhões de exames realizados anualmente em países como os Estados Unidos. Gastroenterologistas passam por anos de treinamento e centenas de casos antes de realizarem o procedimento de forma independente. Riscos e complicações: o que pode acontecer? Embora a colonoscopia seja considerada segura, existem riscos graves, ainda que raros. A perfuração intestinal, uma pequena ruptura no órgão, ocorre em menos de um em cada mil pacientes. Sangramentos podem acontecer em 2% a 3% dos casos, especialmente se pólipos forem removidos ou se o paciente usar anticoagulantes. Infecções e riscos associados à anestesia também são possíveis. O desconforto abdominal, como cólicas e inchaço, é mais comum e geralmente causado pelo dióxido de carbono usado para inflar o cólon, desaparecendo em poucas horas. Preparação é chave para a segurança do exame Para garantir a segurança e a eficácia da colonoscopia, o preparo intestinal é essencial. A limpeza do intestino, removendo resíduos fecais, permite uma visualização completa da mucosa. Isso é feito com o uso de laxantes e a ingestão de líquidos claros. Além disso, a suspensão de certos medicamentos é crucial para evitar sangramentos durante o procedimento, caso haja necessidade de biópsia ou remoção de pólipos. Medicamentos como varfarina, clopidogrel, xarelto, e ferroso, por exemplo, exigem pausas que variam de 24 horas a 7 dias antes do exame. Pacientes diabéticos devem suspender hipoglicemiantes no dia do exame devido ao jejum prolongado. Pacientes com debilidade clínica ou obstrução intestinal podem necessitar de cuidados adicionais.