Transição para Insulina Glargina Inicia no SUS O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou em julho uma transição significativa no tratamento do diabetes com a nacionalização da insulina glargina. Esta versão de ação prolongada promete maior segurança e praticidade para os pacientes, substituindo gradualmente a insulina NPH, que enfrenta escassez global. A iniciativa foi detalhada durante o 39º Congresso Nacional do Conasems, em Porto Alegre. Motivação e Estratégia da Mudança A urgência na substituição da NPH, utilizada por cerca de 90% dos pacientes com diabetes no SUS, se deve ao desabastecimento global por parte dos fabricantes. A acelerada adoção da insulina glargina em escala nacional foi viabilizada por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que une instituições públicas e empresas privadas para a fabricação nacional de tecnologias estratégicas para o SUS. Essa parceria permitiu uma migração previsível, garantindo o acesso contínuo ao medicamento e elevando a qualidade do tratamento. Grupos Prioritários e Expansão Gradual A transição para a insulina glargina não ocorrerá de forma simultânea para todos. A implementação está sendo escalonada, priorizando inicialmente crianças e adolescentes de 2 a 18 anos com diabetes tipo 1, e pessoas com 70 anos ou mais, independentemente de terem diabetes tipo 1 ou tipo 2. Essa divisão por faixa etária visa permitir uma migração gradual, com a expansão do público-alvo conforme o acesso for garantido para esses grupos iniciais. Um projeto-piloto realizado em março deste ano no Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná, com crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais, serviu para identificar e ajustar possíveis gargalos logísticos antes da adoção nacional. Capacitação, Logística e Benefícios para o Paciente A implementação da nova insulina envolve mais do que a distribuição do medicamento. O Ministério da Saúde estruturou um grupo de trabalho específico e investiu na capacitação de equipes de Atenção Primária à Saúde e Assistência Farmacêutica, com a realização de cerca de 130 oficinas em parceria com o Conasems e a disponibilização de materiais de apoio. O envio da insulina aos estados e municípios segue o planejamento e as solicitações das secretarias locais, com a disponibilidade nas farmácias da Atenção Primária, como as Unidades Básicas de Saúde. Para os pacientes, a troca pela glargina traz benefícios clínicos importantes: cobertura de até 24 horas (dobro da NPH em muitos casos), redução do risco de hipoglicemia noturna, menor oscilação nos níveis de glicose, aplicação mais simples por não exigir agitação prévia e menor ganho de peso. Pacientes em tratamento com insulina pelo SUS, especialmente pais, avós ou filhos nessa condição, devem ficar atentos aos próximos meses e conversar com suas Unidades Básicas de Saúde para confirmar o enquadramento no novo grupo prioritário e entender as diferenças no uso do medicamento.