Tensões Geopolíticas e Climáticas Elevam Alerta para o Bolso do Consumidor O segundo semestre de 2026 pode trazer um desafio adicional para o orçamento das famílias brasileiras. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) alerta que a combinação de conflitos geopolíticos no Oriente Médio e a chegada de um fenômeno El Niño mais intenso podem pressionar significativamente os preços dos alimentos. Marcio Milan, vice-presidente da Abras, destaca que a instabilidade no fornecimento de petróleo, reflexo da guerra entre Estados Unidos e Irã, já afeta a cadeia de abastecimento e, consequentemente, os custos de produção e transporte de alimentos. El Niño: Um Inimigo Oculto da Produção Agrícola O El Niño, previsto para intensificar-se neste ano, representa outra frente de preocupação. Segundo análises, o fenômeno pode atingir 63% de intensidade, figurando entre os mais fortes registrados desde 1950. No Brasil, o impacto do El Niño é sentido em diversas áreas da economia, com especial atenção para a produção agrícola. Milan aponta que itens como batata, tomate e cebola já mostram sinais de elevação de preços, uma tendência que pode se agravar com a força esperada do fenômeno climático. A Abras monitora de perto essa situação, prevendo um aumento ainda mais acentuado nos custos desses produtos essenciais. A Montanha-Russa dos Preços e a Resiliência do Consumo Os dados divulgados pelo Abrasmercado, que acompanha 35 produtos básicos, já refletem a pressão inflacionária. Em maio, a cesta de largo consumo registrou alta de 2,16%, elevando seu valor médio para R$ 854,91, com um acumulado anual de 6,82%. O feijão liderou os aumentos, seguido por arroz e leite longa vida. O setor de hortifrúti também sentiu o impacto, com batata, tomate e cebola apresentando variações expressivas. Apesar desse cenário, o consumo das famílias brasileiras demonstrou resiliência, com um crescimento de 3,93% em maio em comparação com o ano anterior. A projeção da Abras é de um fechamento de ano com alta de 3,2% no consumo. Renda e Sazonalidade Impulsionam o Consumo em Meio à Inflação O bom momento do mercado de trabalho e a renda das famílias, impulsionada por pagamentos de restituições do Imposto de Renda, 13º salário, Bolsa Família, PIS/Pasep e benefícios do INSS, têm sido fatores cruciais para sustentar o consumo. Milan ressalta que, mesmo com juros elevados e consumidores mais cautelosos, a previsibilidade de renda ajuda a garantir o abastecimento. Além disso, a sazonalidade, como o Dia das Mães, contribuiu para um aumento de cerca de 9,5% no consumo durante a semana comemorativa, demonstrando a capacidade de adaptação e o dinamismo do mercado consumidor brasileiro frente aos desafios econômicos.