Câmara contesta bloqueio de verbas e vê interferência do Judiciário O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), manifestou forte inconformismo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de bloquear R$ 119 milhões das contas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Lira classificou a medida como uma "indevida intervenção judicial" na prerrogativa do Poder Legislativo. A decisão de Dino está ligada a uma investigação sobre o direcionamento de emendas parlamentares, com o valor bloqueado correspondendo a verbas supostamente destinadas sob influência de Costa Neto. Lira nega irregularidades e defende a atividade parlamentar Em nota oficial, Lira argumentou que a decisão de Dino não aponta para desvio, abuso ou má aplicação de verbas públicas. Segundo o presidente da Câmara, a medida se baseia em "inferências" e busca "criminalizar a atividade política". Ele ressaltou que a alocação das emendas está em conformidade com as leis vigentes e com os acordos institucionais firmados entre Executivo e Legislativo, inclusive perante o próprio STF. Lira também expressou confiança no trabalho dos servidores da Câmara, afirmando que a operacionalização das indicações de emendas por assessores, seguindo orientações partidárias, é uma prática normal e não configura irregularidade. Valdemar Costa Neto defende sugestão de emendas como prática política Valdemar Costa Neto, presidente do PL, em entrevista anterior, já havia defendido a prática de sugestão de emendas parlamentares como algo natural na política. Ele negou a existência de uma "cota" para presidentes de partidos, mas admitiu que é comum que líderes partidários façam sugestões de destinação de verbas. Segundo ele, sua atuação consistiu em sugerir uma lista de emendas que pudessem beneficiar prefeitos sem contato direto com deputados, facilitando o acesso a recursos para obras em seus municípios. "Isso é fazer política, não está errado, está certo", declarou Costa Neto. Investigação do STF aponta para "arranjo decisório paralelo" A decisão de Flávio Dino baseia-se em diálogos e planilhas que, segundo o ministro, indicam que Valdemar Costa Neto, mesmo sem mandato parlamentar, atuou como "mandante do (re)direcionamento de valores públicos". A investigação apura a continuidade do chamado "orçamento secreto". No ano passado, uma operação já havia mirado uma assessora da Câmara que centralizava indicações de verbas, e dados encontrados em seu celular revelaram um "arranjo decisório paralelo" com a participação de Costa Neto. Além do bloqueio das contas do líder do PL, Dino suspendeu a execução das emendas indicadas por ele.