Determinação Russa para Continuar o Conflito Três fontes com acesso a informações do Kremlin revelaram à Reuters que o presidente russo, Vladimir Putin, está rejeitando os apelos por negociações de paz com Kiev. Os recentes ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo e portos russos, segundo essas fontes, reforçaram a determinação de Putin em prosseguir com a guerra no curto prazo. Duas das fontes, que pediram anonimato, afirmaram que a probabilidade de uma intensificação do conflito nos próximos meses é considerada “muito alta”. Contraste com Declarações dos EUA As declarações surgem em contraste com as recentes afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na segunda-feira, Trump declarou que Putin deseja encerrar a guerra e que uma solução estaria “mais próxima do que as pessoas imaginam”. Trump conversou separadamente com Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na semana passada. Durante a cúpula da OTAN, Zelensky também mencionou ter discutido “ideias para aproximar a paz” com Trump. A Casa Branca não comentou o assunto. Objetivos de Putin e Resistência a Negociações Uma das fontes próximas a Putin indicou que o líder russo está “fincado” no objetivo principal de conquistar o restante da região de Donbass, no leste da Ucrânia, onde o avanço russo tem sido lento. Essa mesma fonte relatou que Putin repreendeu conselheiros que sugeriram um acordo baseado em um cessar-fogo nas linhas de frente atuais. A segunda fonte corroborou essa visão, afirmando que Putin acredita que a Rússia em breve controlará Donbass. Em junho, Putin já havia publicamente rejeitado um pedido de Zelensky por um encontro e um cessar-fogo. Posição Oficial do Kremlin e Inteligência Ucraniana O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em resposta a um pedido de comentário que a Rússia está pronta para uma solução pacífica, mas possui capacidade para agir de forma independente e continuar a “operação militar especial”. Por outro lado, um alto funcionário ucraniano, em resposta a um pedido de comentário ao gabinete de Zelensky, indicou que relatórios de inteligência de Kiev sugerem que Putin está se preparando para novas etapas da guerra, e não para a paz, incluindo possíveis novas operações na Ucrânia ou um ataque a outro país europeu. Possível Escalada e Implicações para a OTAN Analistas militares ocidentais sugerem que a Rússia pode precisar convocar homens em idade de combate para atingir o objetivo em Donbass, uma medida politicamente impopular que Putin tem evitado. Especialistas russos têm discutido publicamente a possibilidade de uma escalada, incluindo ataques a alvos europeus como bases da OTAN nos países bálticos. Tal ação poderia levar a um confronto direto com a OTAN, testando o compromisso de defesa coletiva da aliança. Jack Watling, do Royal United Services Institute (RUSI), sugere que a Rússia poderia tentar criar tensões dentro da OTAN através de ataques isolados, como forma de dividir a aliança sobre como responder, e potencialmente justificar internamente uma convocação militar obrigatória. Impacto Econômico e Mudança de Impulso Ataques recentes contra infraestruturas energéticas na Rússia e em áreas ocupadas da Ucrânia causaram escassez de combustível, impactando milhões de russos. Embora a aprovação de Putin permaneça alta, pesquisas indicam que atingiu seu nível mais baixo desde o início da guerra. Aliados da Ucrânia percebem uma mudança de impulso no conflito e defendem novas sanções. No entanto, os sucessos militares ucranianos recentes parecem ter irritado Putin e reforçado sua determinação em responder firmemente. Declarações de Putin sobre Zona de Segurança Em declarações televisionadas, Putin afirmou que os ataques ucranianos contra a infraestrutura energética justificam a busca por mais território ucraniano além de Donbass, visando criar uma “zona de segurança”. Um ex-funcionário do Ministério da Defesa russo, Andrei Ilnitsky, sugeriu em uma coluna que a escalada poderia envolver a destruição de grandes instalações industriais na Ucrânia e, posteriormente, ataques a bases da OTAN e instalações da União Europeia que produzem armamentos para a Ucrânia. Peskov, porta-voz do Kremlin, justificou a necessidade russa de reforçar sua segurança e não ignorar a militarização da Europa. Guerra de Desgaste em Donbass e Perdas As discussões sobre escalada ocorrem em meio a um avanço lento das tropas russas em Donbass, indicando uma guerra de desgaste prolongada e com alto custo humano. Estimativas recentes apontam para cerca de dois milhões de mortos, feridos ou desaparecidos desde o início da invasão em larga escala em 2022, com a maioria sendo russos. As tropas russas enfrentam dificuldades para avançar ao longo da frente de 1.200 km, com drones ucranianos neutralizando a vantagem numérica russa. Putin afirmou em 3 de julho que as forças russas haviam tomado Kostiantynivka, uma informação negada pela Ucrânia. Em conversa com Trump, Putin teria tentado convencê-lo de que a Rússia conquistaria o restante de Donetsk, enfatizando a necessidade de “algum tipo de vitória”.