Do cotidiano à tela grande A essência de 'Minha Melhor Amiga', novo filme que chega aos cinemas em 3 de setembro, nasceu de uma conexão profunda e duradoura: uma amizade de 30 anos entre a cineasta e Mônica Martelli. Essa cumplicidade, forjada ao longo de décadas de experiências compartilhadas – juventude, casamentos, maternidade, perdas e muitas gargalhadas – se tornou o terreno fértil para a criação do roteiro. A inspiração inicial veio dos registros espontâneos feitos pelas filhas da dupla durante viagens, que, ao viralizarem nas redes sociais, despertaram o desejo do público por ver essa relação plasmada na tela. Um olhar sobre o universo feminino O filme aborda temas universais como o 'ninho vazio', a adolescência dos filhos, o medo de amar e a coragem de recomeçar, sempre sob a ótica da amizade feminina. A cineasta defende com orgulho a produção de filmes que exploram o complexo universo feminino, argumentando que dentro dessas questões reside o mundo inteiro. Ela destaca a beleza de ver grupos de mulheres se reunindo para assistir a essas obras, pois a experiência transcende a sala de cinema, estendendo-se para conversas e reflexões posteriores. 'Minha Melhor Amiga' é descrito como um filme escrito, dirigido e protagonizado por mulheres, que testemunharam o melhor e o pior uma da outra, validando a importância desse vínculo para as telas. Desmistificando o "filme de mulherzinha" A cineasta relembra categorizações anteriores de seus trabalhos como "filme de mulherzinha", criticando a desvalorização de temas como o orgasmo feminino e a sobrecarga feminina, que, apesar de sua relevância social e econômica, eram frequentemente reduzidos a "coisas de mulher". Ela contrapõe essa visão ao sucesso comercial e ao impacto cultural de filmes anteriores, que abordavam o prazer feminino e a complexidade da vida das mulheres. Para ela, falar de questões femininas é, na verdade, falar de temas humanos profundos, que merecem ser tratados com seriedade e visibilidade. Celebrando a irmandade feminina no cinema Em meio a grandes produções internacionais e blockbusters, "Minha Melhor Amiga" se propõe a celebrar a irmandade feminina no cinema brasileiro. A cineasta ressalta que, por séculos, as histórias masculinas foram apresentadas como a história da humanidade, e que agora é fundamental dar espaço para que as mulheres contem suas próprias narrativas. Ela conclui que, se contar histórias através dos olhos e desejos femininos é considerado "filme de mulher", que venham muitos, pois as histórias de mulheres, longe de serem pequenas, merecem ser vistas como gigantescas nas telas de cinema.