Regulação falhou na prática, diz ex-presidente do BC O ex-presidente do Banco Central (BC), Arminio Fraga, classificou como uma "falha grotesca" a aplicação da regulação bancária no caso do Banco Master. Segundo Fraga, o problema não reside na concepção das normas, mas na forma como foram implementadas. A declaração foi feita durante um evento promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em São Paulo, onde o economista participou de uma mesa-redonda sobre regulação de mercados. FGC e incentivos tortos sob escrutínio Fraga destacou que o episódio envolvendo o Banco Master deve gerar aprendizados importantes para o sistema financeiro brasileiro. Um dos pontos centrais de debate, segundo ele, deve ser o desenho do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O economista questionou o fato de o FGC permitir que um banco pudesse captar recursos pagando uma taxa de 6% acima do CDI em depósitos garantidos pelo sistema. "Essa solução trouxe problemas porque os incentivos ficaram meio tortos", afirmou, referindo-se aos mecanismos de proteção em crises bancárias. Juros altos limitam expansão do mercado de capitais Em outro ponto abordado no mesmo painel, Arminio Fraga ressaltou que o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil continua sendo um desafio devido ao patamar elevado dos juros. Ele argumentou que a expansão da cadeia produtiva, desde o capital de risco até as ofertas públicas iniciais (IPOs) na bolsa, é dificultada quando os títulos públicos oferecem retornos reais atrativos. "Não existe caminho voluntarista para baixar juro", concluiu o ex-presidente do BC, indicando que a redução da taxa básica de juros depende de fatores estruturais e da política monetária.