O caçador Tom Rahill emergiu como o grande vencedor da edição de 2026 do Florida Python Challenge (Desafio de Pítons da Flórida), garantindo o prêmio principal de US$ 10 mil (aproximadamente R$ 52 mil). Sua proeza consistiu na captura de 96 pítons-birmanesas em apenas dez dias de competição, conforme anunciado nesta quarta-feira pela Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC). O evento, realizado entre 10 e 19 de julho, reuniu 907 participantes de 30 estados americanos, além de competidores do Canadá e do Vietnã. Um Esforço Coletivo Contra a Invasão de Pítons No total, os competidores removeram 280 pítons invasoras de oito áreas de caça designadas no sul da Flórida. Rahill, sozinho, foi responsável por mais de um terço de todas as capturas registradas, demonstrando sua habilidade e dedicação na luta contra a proliferação dessas serpentes. As capturas de Rahill concentraram-se no Parque Nacional dos Everglades, uma das regiões mais severamente afetadas pela presença da espécie exótica. Premiações e Motivações Pessoais Além do prêmio principal de Rahill, a competição também reconheceu Rahm Levinson com US$ 1 mil (cerca de R$ 5,2 mil) pela captura da maior píton do evento, uma serpente impressionante de 5 metros de comprimento. Taylor Stanberry, campeão da edição de 2025, também se destacou este ano, removendo 34 serpentes e recebendo US$ 1,5 mil (R$ 7,7 mil). Emocionado, Rahill revelou que sua participação teve um significado especial. Ele contou que sua missão inicial era ajudar um veterano de guerra que participa de caçadas promovidas por sua organização, a SwampApes, voltada para militares com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). “Eu estava em uma missão para conseguir uma cobra grande para um de nossos veteranos. Conseguimos. Nós lutamos com aquele animal. O veterano ficou nas nuvens”, relatou Rahill, segundo o Naples Daily News. Após essa conquista, ele se aventurou em áreas mais remotas dos Everglades, onde obteve a maior parte de suas capturas. Pítons-Birmanesas: Uma Ameaça Ambiental Crescente Originárias do Sudeste Asiático, as pítons-birmanesas chegaram à Flórida através do comércio de animais exóticos. A fuga ou soltura por parte de seus proprietários permitiu que a espécie se estabelecesse, tornando-se uma séria ameaça ao equilíbrio ecológico dos Everglades. Sem predadores naturais na região, essas cobras se alimentam vorazmente de aves, mamíferos e répteis nativos, incluindo veados, jacarés e linces. A alta capacidade reprodutiva das fêmeas, que podem botar dezenas de ovos anualmente, agrava o desafio de controle populacional. Esforços Contínuos de Remoção Desde 2017, o Florida Python Challenge já resultou na remoção de mais de 1.600 pítons. Somando as ações de caçadores contratados pela FWC e pelo Distrito de Gestão de Águas do Sul da Flórida, cerca de 28 mil serpentes foram retiradas da natureza desde o ano 2000. Sarah Funck, coordenadora do programa da FWC, enfatiza que, embora não haja uma solução única, cada animal removido representa um passo importante para a preservação da fauna local. A remoção de pítons ocorre durante todo o ano em 32 áreas administradas pela FWC, e em propriedades privadas, os animais podem ser abatidos humanitariamente com autorização do proprietário, sem necessidade de licença especial.