PTPA Revela Preocupação com Extensão do Calendário e Seus Impactos na Saúde dos Atletas A Associação Profissional de Jogadores de Tênis (PTPA) manifestou nesta segunda-feira (10) sua profunda preocupação com o calendário do tênis profissional, argumentando que a expansão dos principais eventos e a consequente redução do tempo de recuperação entre as competições estão elevando os riscos de lesões entre os atletas. A entidade citou as recentes desistências em massa no Masters 1000 do Canadá como um reflexo alarmante dessa situação. Embora a PTPA tenha expressado tristeza com as ausências, ressaltou que as desistências não são surpreendentes. A associação afirma que a falta de tempo adequado para descanso e recuperação tem levado a lesões mais precoces e severas ao longo da temporada. Grandes Nomes Afastados por Lesões no Masters 1000 do Canadá O torneio masculino em Montreal foi particularmente afetado, com as retiradas de figuras proeminentes como o número 1 do mundo, Jannik Sinner, e o multicampeão de Grand Slams e atual campeão olímpico, Novak Djokovic. Carlos Alcaraz também não participou devido a uma lesão no pulso, enquanto o tenista da casa, Felix Auger-Aliassime, foi forçado a desistir por uma contusão nas costas antes mesmo de sua estreia. No circuito feminino, a situação não é diferente. A atual campeã do torneio canadense, Victoria Mboko, a vice-campeã de Wimbledon, Karolina Muchova, a britânica Emma Raducanu e a italiana Jasmine Paolini também estão fora de combate devido a lesões. Dados Alarmantes Apontam Crescimento de Lesões A PTPA divulgou que sua análise, baseada em dados de mais de 30.000 partidas profissionais coletados nos últimos oito anos, é clara: a temporada é excessivamente longa, o tempo de recuperação diminui e as lesões se tornam mais frequentes e graves. Segundo a associação, lesões na parte superior do corpo aumentaram 42% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Além disso, as lesões nos braços registraram um aumento de 112% neste ano em relação à média da temporada anterior. A expansão de sete dos nove torneios Masters 1000 para eventos de 12 dias, implementada pela ATP como parte do plano estratégico OneVision a partir de 2025, é apontada pela PTPA como um fator crucial. Essa mudança, segundo a associação, diminuiu o tempo disponível para os jogadores descansarem, treinarem e se deslocarem entre os torneios, apesar das preocupações já expressas pelos atletas sobre a carga de trabalho. PTPA Pede Reestruturação do Calendário com Foco na Saúde do Jogador A PTPA enfatiza que interesses comerciais de curto prazo não devem comprometer a saúde dos jogadores, argumentando que proteger os atletas é fundamental para o futuro do esporte. A associação defende uma abordagem de reestruturação do calendário baseada em dados e na saúde dos jogadores, com um papel mais significativo para os atletas na definição das competições e na redução de compromissos obrigatórios para garantir uma recuperação adequada. A entidade também sugere que a ATP considere a inversão do formato de 12 dias dos Masters 1000. Representantes da ATP e da WTA não comentaram o caso imediatamente. A PTPA reitera que a prioridade deve ser a saúde e o bem-estar dos tenistas, e não apenas os lucros imediatos.