Fim da patente abre mercado para concorrentes, mas complexidade de fabricação impõe limite aos descontos. Com o vencimento da patente do Ozempic no Brasil em março deste ano, o mercado farmacêutico viu a chegada iminente de genéricos e similares da caneta de semaglutida, medicamento amplamente utilizado no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. A expectativa inicial era de uma queda acentuada nos preços, seguindo a lógica da política de medicamentos genéricos, que visa tornar tratamentos mais acessíveis. No entanto, especialistas e fabricantes indicam que o espaço para novas reduções significativas é limitado. Custo de produção eleva o piso de preço. Marcus Sanchez, vice-presidente do Grupo EMS, a primeira farmacêutica nacional a lançar um similar do Ozempic no Brasil após a queda da patente, explica que a complexidade de fabricação da caneta de semaglutida impede uma desvalorização drástica. "Quando é um produto muito fácil de fazer, como era a sildenafila, o princípio ativo do Viagra, o preço realmente desaba, mas não é o caso da caneta de semaglutida. Ela é um produto caro de se produzir em tudo", afirma Sanchez em entrevista à VEJA NEGÓCIOS. EMS Ozivy já oferece desconto agressivo e conquista mercado. A Lei dos Genéricos exige que novos medicamentos cheguem ao mercado com um preço, no mínimo, 35% inferior ao do medicamento de referência. Lançado em junho, o Ozivy, da EMS, chegou com um desconto de cerca de 60% em relação ao Ozempic, com preços a partir de R$ 330, enquanto o original parte de R$ 1.000. Em apenas dois meses, o Ozivy já se posicionou como o quinto medicamento mais vendido nas farmácias brasileiras, segundo dados do setor. Novas aprovações e busca por eficiência na produção. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou a comercialização de outras sete versões similares e genéricas do Ozempic nas últimas semanas. A expectativa é que a concorrência aumente, levando a novas rodadas de descontos. Contudo, o alto custo de produção impulsiona as empresas a buscarem eficiência. "Como o volume de vendas cresce muito, nós conseguimos renegociar com os fornecedores", detalha Sanchez, referindo-se à aquisição de maiores volumes de insumos e componentes para as canetas. Leonardo Albuquerque, analista do setor farmacêutico da Moody's, corrobora a visão, afirmando que o preço já se achatou bastante e que novas quedas expressivas serão mais difíceis devido à complexidade do produto.