Fim de um ciclo: Lucro anual das Casas Bahia não é visto desde 2020 O Grupo Casas Bahia (BHIA3) não registra lucro anual desde 2020, conforme balanços da empresa consultados por Veja Negócios. Na última terça-feira (18), a companhia protocolou um pedido de recuperação judicial, revelando um endividamento de R$ 17,3 bilhões. Histórico de Prejuízos Bilionários Em 2020, o Grupo Casas Bahia apresentou um lucro líquido de R$ 1 bilhão. No entanto, os anos seguintes foram marcados por perdas consecutivas. Em 2021, o prejuízo foi de R$ 297 milhões. Em 2022, o valor negativo alcançou R$ 342 milhões. O cenário se agravou em 2023, com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, seguido por R$ 1 bilhão em 2024 e R$ 3 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, a empresa já acumula um prejuízo de R$ 11 bilhões. A Caminho da Recuperação Judicial Com seis anos consecutivos de prejuízos e sem perspectiva de retorno ao azul, a varejista enfrentou uma queima de caixa expressiva, culminando no pedido de recuperação judicial. A dívida total apresentada no processo soma R$ 17,3 bilhões. Principais Credores: Bradesco e Banco do Brasil na Liderança Segundo apuração do Radar Econômico, o Bradesco é o principal credor do Grupo Casas Bahia, com uma exposição de R$ 4,78 bilhões, somando os créditos diretos e os atribuídos ao Banco Digio, controlado pelo banco. O Digio, isoladamente, é o maior credor individual, com R$ 3,28 bilhões, enquanto o Bradesco aparece com R$ 1,50 bilhão adicional. Juntos, representam cerca de 36% dos R$ 13,3 bilhões em créditos financeiros listados na recuperação judicial. O Banco do Brasil figura em segundo lugar, com R$ 2,99 bilhões. Bradesco, Digio e BB concentram, aproximadamente, R$ 7,77 bilhões, o que equivale a 58,4% da dívida financeira da Casas Bahia. Outros Credores Relevantes A lista de credores também inclui fundos e veículos de crédito com participações significativas. O IBCB-AF01 FIDC aparece com R$ 1,09 bilhão, seguido por Intra (R$ 928,1 milhões), Riza Agronegócio (R$ 803,8 milhões), Red Asset (R$ 708 milhões) e Oliveira Trust (R$ 568,2 milhões).