Intérprete, não cantor: a essência de Celso Fonseca Aos 69 anos, Celso Fonseca se define não como cantor, mas como intérprete. Com uma carreira consolidada, marcada por 20 álbuns, oito indicações ao Grammy Latino e um Grammy americano, ele prefere a modéstia. Para Fonseca, a música é um constante processo de descoberta, uma jornada que o impulsiona a traduzir, através de sua voz, tanto suas próprias composições quanto as de outros artistas que admira. 'Tudo é Bossa': a bossa nova além do museu A inquietação criativa de Celso Fonseca se reflete no repertório de seu show "Tudo é Bossa", que passará pelo Blue Note Rio após apresentação em São Paulo. O título, segundo o artista, resume uma visão de décadas: a bossa nova não é um gênero engessado ou restrito a um conjunto específico de canções, mas sim uma atitude, uma forma de tocar, cantar e se comunicar de maneira delicada e sem excessos. A universalidade da bossa: de Jobim a MC Leozinho A concepção de "Tudo é Bossa" para Celso Fonseca abrange uma amplitude que vai além do sentido estrito do gênero. Essa visão permite que em seu universo musical convivam nomes como Tom Jobim e Baden Powell, além de releituras surpreendentes. Um exemplo disso é sua versão de "Ela Só Pensa em Beijar", de MC Leozinho, e anteriormente, a transformação de "Conquista", de Claudinho e Buchecha, em um exercício de fusão musical. Essa abertura demonstra a capacidade do artista de encontrar a essência da bossa em diferentes manifestações culturais. Um 'anônimo célebre' no Rio Morador da Gávea, Celso Fonseca se sente à vontade no Rio de Janeiro, descrevendo sua relação com a cidade como a de um "anônimo célebre". O espetáculo "Tudo é Bossa" no Blue Note carioca, em duas sessões, promete ser uma celebração dessa filosofia musical, onde a delicadeza na comunicação e a busca incessante por novas sonoridades são os pilares de sua arte. A apresentação reforça a ideia de que a bossa nova, em sua essência, é atemporal e adaptável, mantendo sua relevância e charme através das gerações.