Brasil é um gigante adormecido no setor mineral O Brasil possui um potencial inexplorado de minerais críticos, elementos essenciais para a transição energética e a economia global. Segundo Gustavo Pimenta, CEO da Vale, o país tem a “tabela periódica no nosso território”, mas está ficando para trás na corrida mundial por falta de investimento e agilidade regulatória. Em sua visão, esses minerais, que incluem cobre, níquel e lítio, são o “novo petróleo” do século XXI, com um papel geopolítico e econômico crucial nas próximas décadas. Licenciamento e investimento: os gargalos atuais Pimenta destacou que o processo de licenciamento ambiental no Brasil é um dos principais desafios para atrair investimentos no setor. Ele argumenta que, apesar da abundância de recursos minerais, o país não tem conseguido acompanhar o ritmo de produção de outras nações que, a partir de 2010, apresentavam patamares semelhantes aos brasileiros, mas cresceram exponencialmente. Exemplos como Austrália (minério de ferro), República Tcheca (níquel) e República Democrática do Congo (cobre) ilustram essa discrepância entre potencial e realidade produtiva brasileira. A urgência de uma nova estratégia mineral O executivo da Vale enfatizou a necessidade de uma mudança de rota para que o Brasil possa capitalizar seu potencial. Ele propõe a conciliação entre a agenda produtiva e a ambiental, impulsionada pela tecnologia. O objetivo é avançar em direção a um modelo de mineração mais sustentável, com menor uso de território, maior circularidade e rejeito zero, tornando o setor o mais digitalizado possível. Essa abordagem é vista como fundamental para que o Brasil se posicione como um líder na oferta de minerais críticos, suprindo a demanda global crescente. O futuro energético passa pela mineração A transição energética, que visa substituir fontes de energia fósseis por alternativas mais limpas, depende intrinsecamente da disponibilidade de minerais críticos. Eles são componentes essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e veículos elétricos. Ao comparar esses minerais ao “novo petróleo”, Pimenta sublinha a importância estratégica que eles terão para o desenvolvimento econômico e a segurança energética de diversas nações. O Brasil, com suas vastas reservas, tem a oportunidade de se tornar um player fundamental nesse novo cenário global, desde que os investimentos e as políticas públicas acompanhem essa visão.