Mobilidade Urbana: Expansão da Rede Fica Pela Metade e Barra Enfrenta Trânsito Intenso Dez anos após a Rio 2016, a promessa de um legado duradouro em mobilidade urbana ainda enfrenta obstáculos significativos. Obras como a Linha 4 do metrô e o VLT transformaram a paisagem carioca, mas a expansão da rede de transporte público ficou aquém do planejado. O crescimento acelerado da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, pressionou a infraestrutura existente, resultando em congestionamentos mesmo em vias recentemente duplicadas. Obras Emblemáticas e Desafios Atuais Em 2016, o Rio de Janeiro celebrou a inauguração de serviços como o VLT no Centro e a Linha 4 do metrô, conectando a Barra da Tijuca à Zona Sul. O BRT Transolímpico e a terceira faixa do Elevado do Joá também foram marcos da época. Contudo, o adensamento populacional e comercial nas zonas Oeste e Sudoeste intensificou a demanda por transporte, sobrecarregando avenidas como Carlos Carvalho, Embaixador Abelardo Bueno e Salvador Allende. Para mitigar os gargalos, a prefeitura iniciou a construção de uma nova rotatória e planeja alargar a Avenida Ayrton Senna e um novo trecho da Salvador Allende. Especialistas apontam que o investimento público em vias não acompanhou o ritmo de crescimento da Barra, e a expansão do metrô seria a solução mais eficaz para incentivar o uso do transporte público. A conclusão da conexão entre as estações Carioca e Estácio do metrô, essencial para futuras expansões, permanece pendente. Frota Climatizada e Racionalização de Linhas A promessa de uma frota de ônibus totalmente climatizada até o fim de 2016 foi quase cumprida, com 99,2% dos coletivos possuindo ar-condicionado em julho. No entanto, um plano de racionalização de linhas, visando evitar a concorrência entre modais, está suspenso desde 2015, com expectativa de retomada apenas em 2028, após novas concessões. Segurança Pública: UPPs Perdem Força e Violência Persiste Em 2009, a segurança pública foi um pilar fundamental na candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos, com o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como carro-chefe. O que era uma política de Estado se expandiu de forma desordenada, com falta de recursos, e a violência urbana ressurgiu com força. A intervenção federal em 2018 não reverteu o quadro, e operações policiais cada vez mais letais, como a do Complexo do Alemão e da Penha, e o envolvimento de políticos com o crime organizado, como evidenciado no caso Marielle Franco, demonstram a distância entre as promessas e a realidade. Legado das Arenas e Outros Espaços Algumas arenas olímpicas encontraram novos usos, como a transformação de um espaço de taekwondo e esgrima em escola pública e a construção de cinco escolas com o desmonte da arena de handebol. O Sambódromo foi ampliado e o Parque Rita Lee inaugurado. Outros espaços, como o Parque dos Atletas, foram devolvidos aos proprietários por falta de pagamento de indenizações. O autódromo foi fechado, e um novo projeto em Guaratiba ainda depende de licenciamento ambiental. A piscina olímpica foi reaberta em Inhoaíba, oferecendo aulas à comunidade.