Relação de Lulinha e 'Careca do INSS' ia além de negócios, diz PF Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantinha uma relação próxima com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como 'Careca do INSS' e investigado por fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. A parceria, que já era conhecida por envolver prospecção de negócios no Ministério da Saúde, também se estendia a eventos sociais, segundo aponta a Polícia Federal (PF). Festas em mansão e em barco no Lago Paranoá Após o início do terceiro mandato de Lula em 2023, Lulinha e o 'Careca do INSS' passaram a frequentar festas. Um dos eventos mais notórios ocorreu em Brasília, a bordo de um barco no Lago Paranoá, com a presença de muitas convidadas e o consumo de uísque. Antunes era um frequentador assíduo da mansão alugada pela empresária Roberta Luchsinger, que servia como ponto de encontro para Lulinha e para reuniões com autoridades e empresários interessados em negócios com o governo. Mansão como QG de lobistas e visitas de autoridades A residência de Luchsinger funcionava como um centro de operações para um grupo de lobistas. O local recebeu visitas de ministros como Alexandre Padilha (Saúde), Frederico de Siqueira (Comunicações) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social), além de assessores presidenciais como Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola) e Swedenberger Barbosa (Berger). Segundo a PF, Roberta Luchsinger foi contratada por sua proximidade com Lulinha e outras figuras do PT, visando fechar um contrato bilionário na área de medicamentos à base de canabidiol. Defesas e negações sobre os encontros A defesa de Lulinha, por meio de seus advogados, afirmou que ele frequentava a casa de Roberta Luchsinger de forma esporádica e pontual, negando participação em reuniões e o uso do endereço para tais fins. Ministros e o assessor Berger declararam que não comentariam informações de esfera pessoal. Marcola não se manifestou. A PF, no entanto, alega que Roberta e Lulinha faziam parte de uma sociedade oculta que visava vender influência e facilitar o acesso ao governo.