Produção nacional conquista destaque internacional O filme brasileiro "A Margem do Rio", estrelado por Caique Copque e Ítalo Martins, foi agraciado com o Prêmio Especial do Júri no renomado Festival de Locarno, na Suíça. A obra, que teve sua estreia mundial nesta semana, destacou-se como o único longa-metragem do Brasil selecionado para a competição principal do evento. Dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, o filme marca a estreia da dupla em longas-metragens. Sinopse e Temáticas Abordadas Ambientado no Recife, "A Margem do Rio" narra a história de Izaquiel (Caique Copque), um auxiliar de serviços gerais que mantém encontros secretos em um mangue durante a noite. Sua rotina é alterada com o surgimento de Jeremias (Ítalo Martins), um pescador. Quando uma ameaça externa traz violência para a região, Jeremias guia Izaquiel por uma jornada pelas profundezas do manguezal. O filme explora conflitos profundos relacionados à identidade e religiosidade, em um contexto de fragmentações sociais brasileiras. Reconhecimento do Júri e Dedicatória O júri de Locarno definiu o longa como uma obra que une "paciência, solidariedade, atração, violência, corpos, sexo", classificando-o ainda como um "horror erótico e mágico" conectado à tradição política do cinema brasileiro. Os diretores dedicaram o prêmio à equipe, ao elenco e, especialmente, à comunidade LGBTQIA+ do Brasil. Durante a cerimônia, Enock Carvalho ressaltou a importância da união e do apoio comunitário para a concretização do filme. Trajetória dos Diretores e Equipe do Filme Matheus Farias e Enock Carvalho colaboram desde 2015 em curtas-metragens, incluindo "Inabitável", uma produção queer de ficção científica que estreou no Festival de Sundance em 2021. Farias também possui experiência como montador, tendo trabalhado com Kleber Mendonça Filho em filmes como "O Agente Secreto" e "Retratos Fantasmas", trabalho que lhe rendeu o Prêmio Platino e o Prêmio Coral no Festival de Havana em 2026. A equipe em Locarno contou com os protagonistas, além de Robério Diógenes, Artia e Renna Costa, os produtores Maurício Macêdo e Flavia Oertwig, e a diretora de fotografia Luciana Baseggio. O filme, com 118 minutos, é uma coprodução entre Brasil e Alemanha.