Crimes financeiros e confisco de bens Hui Ka Yan, o visionário por trás da gigante imobiliária chinesa Evergrande e que já ostentou o título de homem mais rico da China, foi sentenciado à prisão perpétua nesta quinta-feira (20). A decisão da Justiça de Shenzhen também decretou o confisco integral de seus bens pessoais. O empresário foi considerado culpado por uma série de crimes financeiros graves, incluindo fraude, desvio de recursos e captação ilegal de depósitos públicos. Investigações apontaram que, entre 2016 e 2021, a Evergrande inflou artificialmente seus ativos, ocultou passivos e realizou fraudes financeiras em larga escala. Hui Ka Yan havia admitido sua culpa durante o processo judicial. Da ascensão meteórica ao colapso A condenação marca o fim de uma trajetória impressionante que levou Hui Ka Yan ao topo do mercado imobiliário chinês. Em 2017, sua fortuna era estimada em US$ 45,3 bilhões, consolidando-o como uma das figuras mais ricas da Ásia. Apenas três anos depois, em 2020, a Evergrande registrava vendas anuais superiores a US$ 100 bilhões. No entanto, esse crescimento exponencial foi alimentado por uma agressiva expansão baseada em dívidas, que eventualmente se tornou insustentável. A crise da Evergrande e seus reflexos globais A Evergrande acumulou um passivo colossal, superando a marca de US$ 300 bilhões. A empresa entrou em colapso em 2021, após falhar no pagamento de suas dívidas internacionais. A crise da companhia se transformou em um dos maiores símbolos dos problemas estruturais do setor imobiliário chinês, gerando ondas de choque que impactaram a segunda maior economia do mundo. Multas bilionárias e condenações de executivos Além da pena severa imposta ao seu fundador, a Evergrande e sua subsidiária imobiliária foram multadas em valores que, somados, ultrapassam os US$ 2 bilhões. Outros executivos ligados ao grupo também enfrentaram condenações, evidenciando a extensão das irregularidades financeiras dentro da corporação.