Estreia Premiada em Gramado A 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado coroou "Nosso Segredo", longa-metragem que marca a estreia de Grace Passô na direção, com o prêmio de Melhor Filme. A obra, que também levou os troféus de Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia, já havia sido exibida em festivais internacionais como a Berlinale. Poesia da Contenção e o Acaso da Vida Com uma reflexão sensível e poética sobre luto e saudade, "Nosso Segredo" explora as complexidades das relações familiares e os impactos da morte. Grace Passô, natural de Belo Horizonte, inspira-se em vivências familiares, como a perda precoce de seu pai, para tecer a narrativa. "É sobre o acaso, os rompantes da vida. E, talvez, a mudança mais radical venha pela morte", comenta a diretora, que destaca a expressão "poesia da contenção" usada por um espectador para descrever o filme. Trajetória de Coragem e Afeto O roteiro de "Nosso Segredo" revisita uma das primeiras peças escritas por Grace Passô, há mais de 20 anos. A atriz, que iniciou os estudos de teatro aos 13 anos e é apaixonada por literatura, construiu uma carreira sólida, com projeção em filmes como "Praça Paris" e "Temporada". Seus textos teatrais foram traduzidos para seis idiomas, e ela prepara uma nova peça autoral, além de participar das séries "Sessão de Terapia" e "Pablo e Luizão" (Globoplay). "Minha família não tinha grana. Então, sonhávamos sem dinheiro. Fazer aula de teatro e buscar estudo em lugares diferentes veio de uma extrema coragem e de acreditar nesse sonho", relembra emocionada. Representatividade e Humanidade nas Telas No filme, Grace Passô retrata diferentes gerações de uma família negra, onde os laços de parentesco, embora nem sempre explícitos, são marcados por um profundo acordo afetivo. A direção de fotografia de Wilssa Esser, esposa da diretora, contribui para a atmosfera imersiva, com jogos de luz natural que convidam o espectador a se perder nos ambientes. O elenco, que inclui Ju Colombo como a matriarca, é elogiado pela humanidade na abordagem das histórias. "Tem algo forte neste filme que é trazermos outras narrativas dentro do universo de famílias negras", afirma Colombo. O olhar infantil de Tutu, interpretado por Efraim Santos, um menino diagnosticado com autismo nível 1, traz uma camada adicional de sensibilidade e une a equipe em torno de cuidados e afeto, promovendo aprendizados significativos para o jovem ator.