Disputa Eleitoral Transborda para o Ambiente Digital e Judicial A corrida pelo governo de Pernambuco ganhou um novo capítulo, desta vez nos tribunais. As campanhas do ex-prefeito João Campos (PSB) e da atual governadora Raquel Lyra (PSD) estão em rota de colisão na Justiça Eleitoral, trocando acusações de atuação irregular nas redes sociais. As denúncias envolvem desinformação, suposto uso de inteligência artificial, vídeos negativos e suspeitas de coordenação de perfis para influenciar a opinião pública. Campanha de Raquel Lyra Denuncia Rede de Perfis Anônimos e Robôs No final de julho, a campanha de Raquel Lyra protocolou uma ação apontando uma possível coordenação e custeio de uma rede de perfis anônimos que estariam atacando a governadora e promovendo João Campos. A Justiça Eleitoral acatou o pedido cautelar para preservação dos dados desses perfis. A ação descreve um "modus operandi" com substituição de perfis, mesmo após ordens judiciais de remoção, e a identificação de "perfis inautênticos, disparo coordenado, escalada artificial de alcance e ocultação de autoria". Em preparação, a campanha de Lyra prepara uma nova representação que deve ser apresentada nesta semana, alegando o uso de robôs para atacar sua gestão e enaltecer João Campos. Um relatório teria identificado a criação de 301 perfis em um único dia, com padrões de mensagens sincronizadas e até erros de português que sugeririam o uso de sistemas automatizados. Ao todo, foram mapeados 186 perfis dedicados a enaltecer Campos e 33 voltados a criticar o governo de Lyra, especialmente em relação às enchentes que atingiram o estado. João Campos Acusa Governo de Pernambuco de Financiar "Gabinete de Ódio" Em contrapartida, a campanha de João Campos ingressou com uma representação na sexta-feira, acusando a existência de um suposto "gabinete de ódio" financiado com recursos públicos do governo estadual. Os advogados de Campos também pedem a preservação cautelar de dados de perfis que atuariam de forma coordenada. A campanha alega que essas acusações já foram formalizadas na Polícia Federal e investigadas por uma CPI na Assembleia Legislativa, baseando-se em "estrutura profissional de comunicação, possível sustentação econômica e utilização coordenada de perfis digitais aparentemente independentes". O documento descreve uma estrutura onde a produção e distribuição de conteúdo são fragmentadas para ocultar a origem comum e dar um ar de espontaneidade a ações previamente organizadas. A campanha de Campos também afirma ter monitorado perfis que, antes focados em outros temas, passaram a concentrar suas publicações em ataques ao ex-prefeito e seus aliados, caracterizando uma "repetição organizada, com personagens, roteiros, calendário, páginas de distribuição e contas de reserva". Troca de Acusações e Confiança na Justiça Eleitoral Procurada, a campanha de Lyra declarou que a ação do PSB "não acusa nem comprova qualquer irregularidade" e que serão prestados todos os esclarecimentos necessários. A equipe da governadora ressaltou que "participação política não pode ser confundida com irregularidade" e que a iniciativa é recebida "com absoluta tranquilidade", confiando na Justiça Eleitoral. A campanha de Campos, por sua vez, reafirmou que a representação reúne elementos que apontam para a atuação de um gabinete de ódio com participação de ocupantes de cargos no governo estadual, ressaltando que não se trata de uma "denúncia recente ou criada no contexto eleitoral". As campanhas de ambos os candidatos buscam também o apoio do presidente Lula, que já declarou apoio a Campos, mas não descarta gestos à governadora.