Novo comando na Accenture Song Ndidi Oteh assume a liderança global da Accenture Song, área de criatividade e marketing da consultoria, sucedendo David Droga. Em sua primeira entrevista como líder, Oteh enfatiza que a inteligência artificial (IA) é uma ferramenta poderosa, mas não a resposta definitiva para a transformação empresarial. O foco, segundo ela, deve estar em repensar processos, capacitar equipes e definir uma ambição clara antes de adotar novas tecnologias. O erro comum na adoção da IA O principal equívoco das empresas na corrida pela IA, segundo Oteh, é tratá-la como a solução em si. "A IA é uma ferramenta. A verdadeira questão é como usá-la para mudar a maneira como o trabalho é realizado", afirma. Ela defende que as organizações devem questionar como a IA impacta suas equipes, as habilidades necessárias e quais ferramentas serão essenciais para o futuro. A verdadeira promessa da IA, para a executiva, reside em criar mais espaço para trabalhos de maior valor, criatividade e impacto, e não apenas em aumentar a produtividade. Transformação começa com ambição e liderança Para Oteh, empresas que realmente se transformam não iniciam o processo pela tecnologia. Elas partem de uma ambição clara e de uma visão sobre quem desejam ser e como querem crescer. A tecnologia, por si só, não promove a mudança; são os líderes que a impulsionam. Uma reinvenção genuína exige alinhamento em toda a organização, mudando a forma como decisões são tomadas, clientes são atendidos e valor é entregue. O potencial do Brasil e a importância do consumidor O Brasil é visto como um mercado estratégico para a Accenture Song. O país é considerado um laboratório para entender as rápidas mudanças no comportamento do consumidor e antecipar tendências em áreas como IA, personalização e experiências digitais. Oteh destaca a criatividade e o engajamento digital brasileiros como diferenciais. Sua experiência anterior no varejo a ensinou que tudo começa e termina com as pessoas – tanto consumidores quanto equipes. A confiança, a relevância e a transparência são cruciais para construir relações duradouras com os consumidores em um mundo cada vez mais digital. Criatividade e storytelling como pilares A experiência de Oteh como professora voluntária de escrita criativa em um centro de saúde mental também moldou sua visão sobre liderança. Ela acredita que contar histórias ajuda as pessoas a encontrarem suas vozes, a se sentirem vistas e a imaginarem o que é possível. Líderes, assim como contadores de histórias, precisam ouvir atentamente, dar espaço para diversas vozes e conectar o trabalho a um propósito maior. A criatividade, segundo ela, não é exclusiva de uma função ou cargo, e as histórias mais poderosas nos negócios ainda estão por ser contadas.