Bolsa brasileira respira com alívio internacional O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (19) com uma valorização de 0,90%, atingindo 167,8 mil pontos. Após uma sequência de 11 dias consecutivos de quedas, o mercado acionário brasileiro experimenta um respiro temporário, impulsionado por notícias vindas do cenário internacional. Tesouro Americano dobra recompra de títulos e estimula apetite por risco Uma das principais causas para a recuperação do Ibovespa foi o anúncio do Tesouro Americano de dobrar o volume das operações de recompra de títulos de longo prazo, elevando o montante para um mínimo de US$ 4 bilhões por operação. Essa medida, que entra em vigor em setembro e vai até novembro, visa injetar liquidez na parte mais longa da curva de juros, em resposta ao recente estresse observado na renda fixa global. Especialistas apontam que essa ação do Tesouro Americano funcionou como um gatilho, levando à queda dos juros nos EUA e, consequentemente, destravando o apetite por risco em mercados globais, incluindo o brasileiro. Ata do Fed traz tom mais duro, mas não impede alta no Brasil A ata do Federal Reserve (Fed), divulgada na mesma tarde, trouxe uma nuance de cautela. O documento revelou que parte dos dirigentes do banco central americano passou a considerar a possibilidade de novas altas nas taxas de juros, em vez de apenas debater os cortes, como forma de combater a persistência da inflação. Apesar do tom mais duro do que o esperado pelo mercado, o impacto negativo sobre a bolsa brasileira foi mitigado pelos outros fatores positivos. Ações de bancos e dólar mais fraco: um cenário misto para a B3 No pregão, as ações de bancos apresentaram um comportamento misto. O Santander (SANB11) liderou as perdas entre as instituições financeiras, com uma desvalorização de 1,88%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), que recuou 0,62%. Em contrapartida, o Itaú (ITUB4) registrou alta de 0,47%, e o Banco do Brasil (BBAS3) teve um desempenho positivo de 1,57%. A recuperação dos ativos brasileiros também se beneficia de um dólar mais fraco, que cedeu cerca de 0,70% e fechou cotado a R$ 5,17. Essa desvalorização da moeda americana alivia a pressão sobre empresas brasileiras com dívidas em dólar ou que dependem de insumos importados.