A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, manteve nesta sexta-feira (data específica não informada na fonte) a decisão que impede a análise de um novo financiamento de R$ 150 milhões solicitado pelo Vasco. A liberação do crédito está condicionada à apresentação de um relatório sumário de auditoria independente, e a magistrada rejeitou o pedido de reconsideração feito pelo clube. Contas da SAF Sob Fogo Cruzado: Urgência Questionada Na decisão, a juíza levantou sérias dúvidas sobre as finanças apresentadas pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e a justificativa de urgência para o empréstimo. Chevrand relembrou que em julho autorizou um financiamento de R$ 40 milhões devido à previsão de falta de recursos. Contudo, menos de um mês depois, o Vasco voltou à Justiça buscando outros R$ 150 milhões. “A recuperanda poderia, já com a projeção de déficit em julho, requerer os recursos necessários para atravessar o período de ‘maior concentração de despesas’. Mas preferiu fracionar as operações e requerê-las sempre às vésperas do dito ‘colapso financeiro’”, criticou a magistrada. Investimentos 'Atípicos' e Custos Elevados no Radar da Justiça Outro ponto de atenção da juíza foi o peso dos investimentos na necessidade de caixa apresentada pelo Vasco. Segundo a decisão, 84% da dívida emergencial que fundamenta o novo pedido se refere a investimentos considerados “atípicos”. “Ao que parece, a gestão de uma empresa em recuperação judicial pretende tomar dinheiro emprestado, ao custo da SELIC (14% a.a.), para investimentos não especificados”, observou Chevrand, citando previsões de quase R$ 70 milhões em investimentos em agosto e outros R$ 18,4 milhões em setembro, questionando a necessidade de gastos adicionais de cerca de R$ 90 milhões no período. Suspeita de Venda Direta e Problemas na Prestação de Contas A magistrada também expressou preocupação com a concentração dos financiamentos no mesmo grupo empresarial que apresentou proposta para adquirir participação na SAF. A formação de uma dívida de R$ 270 milhões com o potencial comprador, o empresário Marcos Lamacchia e a Crefisa, pode, segundo a juíza, prejudicar a competição pela aquisição do Vasco. “Outro interessado em aderir ao processo competitivo já partiria de um débito de históricos R$ 270.000.000,00 para com o stalking horse, o que, em uma realidade de mercado, pode inviabilizar uma real disputa e consumar, por via oblíqua, uma inadmissível venda direta no âmbito desse procedimento concursal.” Chevrand ainda apontou falhas na prestação de contas do empréstimo de R$ 40 milhões já liberado, mencionando pagamentos a escritórios de advocacia com valores idênticos, feitos em duplicidade ou triplicidade para o mesmo beneficiário. Um desses escritórios, segundo a decisão, representa o investidor que concede os empréstimos e também se candidata à compra da SAF. Ao final, a juíza manteve a exigência do relatório de auditoria antes de decidir sobre o novo financiamento e determinou prazo de 48 horas para que a Administração Judicial explique as questões levantadas. Watchdog e gatekeeper também deverão se manifestar sobre o caso.