Diarista respondará por latrocínio e outros crimes O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) aceitou a denúncia contra Paola Stefany Neto Cirino, diarista suspeita de matar o advogado Cláudio Atala, de 75 anos, e sua esposa, Maria Clotilde Atala, de 76. A Justiça a denunciou por latrocínio (roubo seguido de morte), adulteração de provas, por manipular a cena do crime, e por uso fraudulento de cartões bancários das vítimas. Segundo investigações, Paola já planejava o crime e utilizava medicamentos sedativos para reduzir a resistência das vítimas, método que teria aplicado contra o casal. Modus operandi e prisão da suspeita Paola foi presa em flagrante dois dias após o crime, que ocorreu em 29 de junho no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. Ela confessou o duplo assassinato. A Justiça considerou agravantes como o uso de meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e o fato de o crime ter sido cometido contra idosos. Durante a prisão, policiais apreenderam R$ 18,8 mil, celulares, joias, perfumes, roupas, óculos, uma faca e 165 comprimidos de sedativos. Paola alegou ter ouvido vozes que a instruíram e que não estava satisfeita após o roubo, o que a levou a matar o casal. Ela também admitiu dívidas com jogos de azar e empréstimos com agiotas. Outras cinco pessoas indiciadas no caso Além de Paola, outras cinco pessoas foram indiciadas. Quatro delas foram denunciadas por receptação qualificada por adquirirem bens roubados das vítimas. Eles se apresentaram voluntariamente à delegacia com seus advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens. Um comerciante foi denunciado por auxiliar na fraude dos cartões de crédito das vítimas, permitindo que Paola usasse os cartões roubados em seu restaurante. O Ministério Público aponta que ambos teriam dividido os valores obtidos fraudulentamente. O caso de três dos indiciados por receptação foi desmembrado para a realização de Acordos de Não Persecução Penal (ANPP). Investigação se estende a familiares e outras vítimas A Justiça determinou o prosseguimento da investigação contra o primo de Maria Clotilde, que indicou os serviços de Paola ao casal. Segundo as apurações, Paola teria ligado para ele informando que a idosa estava "passando mal", mas ele não tomou providências. Outras pessoas compareceram à delegacia relatando terem sido vítimas da suspeita, com outros quatro crimes praticados sob o mesmo modo de agir – dopando clientes. Parte dos bens subtraídos do casal assassinado foi recuperada na casa de Paola e restituída aos familiares.